Responsabilidade Social • 19:38h • 23 de junho de 2026
O que está por trás da alta nas mortes por animais peçonhentos no Brasil?
Após três décadas estudando a aranha-marrom, pesquisadora defende educação ambiental e manejo consciente como caminhos mais eficazes para prevenir acidentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação
O Brasil registrou 265 mortes causadas por animais peçonhentos em 2025, o dobro do total contabilizado no ano anterior. Os dados são do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, que também aponta mais de 225 mil acidentes notificados no período. Entre os casos registrados, os acidentes com aranhas aparecem entre os mais frequentes, somando 7.757 ocorrências.
Para a bióloga e doutora em Zoologia Marta Luciane Fischer, o aumento dos casos está ligado não apenas à presença desses animais nos ambientes urbanos, mas também à forma como a população compreende e reage à natureza. Após 30 anos dedicados ao estudo da aranha-marrom, a pesquisadora lançou um livro que propõe uma reflexão sobre o tema e questiona práticas amplamente adotadas pela sociedade.
O medo pode estar agravando o problema
Na obra "Aranha-marrom: 30 anos de estudos biológicos, epidemiológicos e sociais", Fischer sustenta que a desinformação e o medo excessivo dos animais peçonhentos acabam dificultando estratégias mais eficazes de prevenção.
A pesquisadora utiliza o termo "biofobia" para descrever a aversão irracional à natureza, comportamento que frequentemente leva à eliminação de espécies que ajudam a controlar populações de animais considerados perigosos.
Segundo ela, o combate indiscriminado a lagartixas e a outras espécies de aranhas inofensivas pode contribuir para desequilíbrios ambientais que favorecem justamente a proliferação da aranha-marrom.
Nem todo controle passa pelo uso de venenos
Um dos principais pontos defendidos pela pesquisadora é a redução do uso indiscriminado de pesticidas e inseticidas em ambientes residenciais.
Em vez disso, a proposta é investir em medidas preventivas, como limpeza regular dos ambientes, eliminação de esconderijos, manutenção de quintais e vedação de frestas e locais que possam servir de abrigo para esses animais.
A ideia é criar ambientes menos favoráveis à presença da aranha-marrom sem comprometer o equilíbrio ecológico que ajuda a controlar naturalmente diversas espécies.
Medo da natureza pode estar contribuindo para aumento dos acidentes, alerta especialista
Educação ambiental ganha papel central
Para Fischer, a prevenção de acidentes depende tanto de medidas práticas quanto de informação de qualidade. Conhecer os hábitos dos animais, saber identificar situações de risco e compreender o papel de cada espécie no ambiente pode reduzir acidentes e evitar ações motivadas apenas pelo medo.
A pesquisadora defende que o enfrentamento do problema passe por uma combinação de educação ambiental, responsabilidade coletiva e políticas públicas voltadas ao manejo adequado dos espaços urbanos.
Casos exigem atenção em todo o país
Embora a aranha-marrom seja uma das espécies mais conhecidas quando o assunto é acidente com animais peçonhentos, especialistas lembram que escorpiões, serpentes e outros aracnídeos também estão entre as principais causas de notificações registradas anualmente no Brasil.
Diante do aumento dos casos e das mortes, a orientação continua sendo procurar atendimento médico imediatamente em caso de acidente e evitar tratamentos caseiros sem orientação profissional.
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