Saúde • 11:04h • 10 de março de 2026
O que é Gripe K e por que tomar a vacina da Influenza todos os anos?
Variante da influenza A tem gerado aumento de casos no mundo; imunização atualizada anualmente protege contra formas graves da doença e hospitalização
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O aumento global de casos de influenza sazonal — mais comum durante os meses de inverno — tem chamado a atenção de autoridades de saúde nos últimos meses. O crescimento está associado à chamada gripe K, uma variante que pertence ao vírus influenza A (H3N2). Isso significa que não se trata de uma nova doença, mas de uma mutação genética de um vírus já conhecido. A variante vem circulando desde meados de 2025 em países da Europa, Ásia e América do Norte e foi identificada no Brasil no fim do ano passado.
Como o aumento dessa variante ocorreu a partir de agosto de 2025, ela não foi incluída na composição das vacinas contra gripe previstas para o inverno de 2026. Isso acontece porque a produção das vacinas começa meses antes da temporada de maior circulação do vírus.
Todos os anos, a formulação do imunizante é atualizada com base nas cepas mais comuns observadas no período anterior, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2025, por exemplo, a composição das vacinas trivalentes e tetravalentes foi divulgada em setembro, quando a variante K ainda não era considerada uma preocupação relevante.
Mesmo assim, especialistas destacam que as vacinas aplicadas atualmente, tanto na rede pública quanto na privada, ainda ajudam a proteger contra a nova variante. Em dezembro, a OMS informou que os imunizantes disponíveis continuam eficazes para reduzir o risco de formas graves da doença e de hospitalizações, mesmo sem terem sido atualizados especificamente para a gripe K.
A vacina distribuída gratuitamente pelo Instituto Butantan por meio do Programa Nacional de Imunizações inclui uma cepa de influenza A (H3N2), da qual se originou a variante K, além de uma cepa de influenza A (H1N1) e outra de influenza B da linhagem Victoria.
Segundo o pesquisador e gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan, Paulo Lee Ho, a vacinação anual continua sendo a principal forma de proteção, especialmente para crianças pequenas e idosos, que são mais vulneráveis a complicações da gripe.
De acordo com ele, é importante que a população se vacine antes do período de maior circulação do vírus. Estudos mostram que pessoas vacinadas que contraíram a variante K apresentaram menor risco de desenvolver sintomas graves.
O especialista também explica que aumentos no número de infecções podem ocorrer quando surge uma nova variante. Por isso, manter altas taxas de vacinação é fundamental para reduzir a transmissão e evitar que o vírus se espalhe com mais facilidade.
Como surgiu a variante
A gripe K, também chamada de J.2.4.1, deriva do subclado J.2 do vírus H3N2. Essa variante apresenta sete mutações em seu material genético, o que permite que ela escape parcialmente da resposta do sistema imunológico e provoque mais infecções.
As mutações do vírus influenza podem ocorrer de duas formas: quando diferentes cepas infectam o mesmo organismo e trocam material genético ou por alterações naturais que surgem ao longo do tempo. No caso da variante K, as mudanças ocorreram de forma espontânea durante a evolução do vírus.
Apesar dessas alterações, a OMS afirma que, embora represente uma evolução importante do vírus H3N2, não há evidências de que a variante provoque casos mais graves da doença.
Existe risco de pandemia?
Segundo especialistas, a variante K não apresenta características associadas a vírus com potencial pandêmico. Geralmente, pandemias surgem quando há grandes rearranjos genéticos entre diferentes vírus, o que não ocorreu nesse caso.
Para que uma cepa tenha capacidade de provocar uma pandemia, são necessárias mudanças genéticas mais profundas, que aumentem significativamente a transmissão entre as pessoas.
Um exemplo foi a pandemia de H1N1 em 2009, que surgiu após diversos rearranjos genéticos envolvendo vírus de origem humana, suína e aviária.
Por que o vírus da gripe sofre tantas mutações
A frequência de mutações nos vírus influenza está ligada à própria forma como eles se reproduzem. Esses vírus possuem material genético do tipo RNA, que consegue se duplicar rapidamente, mas não tem mecanismos eficientes para corrigir erros durante a replicação.
Assim, pequenas alterações podem surgir no material genético sempre que o vírus se multiplica, dando origem a novas variantes ao longo do tempo.
Vacina agora disponível o ano todo
Desde abril de 2025, a vacina contra a gripe passou a fazer parte do calendário nacional de vacinação de rotina para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais. Com isso, esses grupos podem receber o imunizante durante todo o ano nas unidades de saúde, e não apenas nas campanhas sazonais.
Outros grupos prioritários — como profissionais de saúde, professores, integrantes das forças de segurança, pessoas privadas de liberdade e indivíduos com doenças crônicas ou deficiência — continuam sendo imunizados principalmente durante as campanhas anuais.
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2026 está prevista para ocorrer entre março e abril.
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