• Sem telescópio, moradores de Assis poderão observar Saturno próximo da Lua neste fim de semana
  • Quedas levam mais de 330 mil crianças à internação no Brasil; São Paulo lidera ranking
  • ABMES alerta para possível invasão de competências do MEC por conselhos profissionais
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 08:18h • 03 de setembro de 2025

O que os microplásticos causam para a saúde humana?

ONU projeta que 2,7 milhões de toneladas foram despejadas no meio ambiente em 2020 e projeção deve dobrar até 2040. Em degradação contínua, os objetos se transformam em fragmentos minúsculos, tornando a exposição praticamente inevitável

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1

Pesquisas do Brasil e do mundo revelam a presença de partículas também em amostras de sangue, pulmões, leite materno, placenta, fígado, baço, cólon, saliva, fezes, urina, testículos e até no sêmen. Um estudo de 2019 aponta que pessoas adultas podem estar consumindo até 52 mil partículas de microplástico por ano.
Pesquisas do Brasil e do mundo revelam a presença de partículas também em amostras de sangue, pulmões, leite materno, placenta, fígado, baço, cólon, saliva, fezes, urina, testículos e até no sêmen. Um estudo de 2019 aponta que pessoas adultas podem estar consumindo até 52 mil partículas de microplástico por ano.

Embora a ciência tenha cada vez mais comprovações de que os microplásticos são danosos para a saúde humana e do planeta, a comunidade internacional não consegue chegar a um acordo para diminuir a presença desse elemento no planeta. Neste mês, após dez dias de debate, representantes de 185 nações fracassaram na definição de um acordo global para combate à poluição por plásticos.

O encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, não rendeu nem mesmo um texto base para o compromisso. Enquanto o descontrole na fabricação e no descarte seguem, os microplásticos representam uma ameaça crescente e um desafio para sistemas de saúde e defesa ambiental e são encontrados das profundezas oceânicas aos topos de montanhas geladas.

Até na Antártida, no deserto, nas montanhas, onde você procurar, você vai achar microplástico, seja no ar, seja no solo, seja na água. Estamos realmente muito expostos a esse tipo de material, considerando que a nossa vida é rodeada de plástico atualmente e que esse plástico, mesmo no meio ambiente, mesmo dentro de casa, ele se degrada”, afirma a pesquisadora brasileira, Thais Mauad.

Uma das principais estudiosas do tema no país, a médica atua na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e, recentemente, participou de um estudo que encontrou partículas de microplástico no cérebro. O elemento foi identificado no bulbo olfativo, estrutura cerebral responsável pelo processamento inicial das informações relacionadas ao olfato.

Pesquisas do Brasil e do mundo revelam a presença de partículas também em amostras de sangue, pulmões, leite materno, placenta, fígado, baço, cólon, saliva, fezes, urina, testículos e até no sêmen. Um estudo de 2019 aponta que pessoas adultas podem estar consumindo até 52 mil partículas de microplástico por ano.

A ONU projeta que 2,7 milhões de toneladas foram despejadas no meio ambiente em 2020. Se o ritmo atual não mudar, essa projeção deve dobrar até 2040. Em degradação contínua, os objetos se transformam em fragmentos minúsculos, tornando a exposição praticamente inevitável.

“É uma partícula inerte, que não consegue ser degradada pelas nossas células. Ela fica lá e não consegue ser eliminada. Ela carrega dentro dela, além do próprio polímero, os aditivos do plástico, que são um capítulo à parte de extrema gravidade. Carrega bactérias que se grudaram nela no caminho e metais pesados. Todos os estudos em animais e estudos mais experimentais mostram que isso suscita um processo inflamatório”, alerta Thais Mauad.

Os impactos dos microplásticos à saúde humana ainda estão sendo desvendados pela ciência, mas estudos iniciais já apontam que a presença dessas partículas está associada a estresse oxidativo, problemas cardiovasculares, desregulação endócrina e imunológica, além de comprometimento da memória e do aprendizado.

Testes laboratoriais indicam que os microplásticos podem causar danos e morte de células, induzir a transformação de células saudáveis em cancerígenas e desencadear reações alérgicas. Substâncias químicas presentes nos plásticos, como os ftalatos e o bisfenol, são apontadas como fatores de risco para diversas condições, incluindo distúrbios do comportamento e da memória, e puberdade precoce.

Essa preocupação se amplia ao considerar o impacto nas gerações futuras e nos órgãos em desenvolvimento. “É um problema grave. Há muita gente preocupada com essa exposição precoce, desde intraútero até nos primeiros anos de desenvolvimento. Porque os órgãos em desenvolvimento são mais suscetíveis a impactos externos”, explica Mauad.

Diante dos esforços insuficientes das nações para reduzir a poluição por plástico, a pesquisadora avalia que a humanidade está longe de encontrar uma solução efetiva para o problema. “Não vamos conseguir acabar com o plástico, mas temos que acabar com o plástico não essencial”, enfatiza ela.

De tudo o que está no oceano, 40% são plásticos descartáveis, que têm uma vida útil muito curta. Pensar que para você tomar uma água em um copinho de plástico e jogá-lo fora em 30 segundos, alguém teve que ir lá no meio do oceano tirar petróleo, extrair, refinar, moldar, transportar, não tem a menor lógica. É uma irracionalidade absurda que foi nos imposta pela indústria”, conclui Mauad.

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Variedades • 18:43h • 22 de outubro de 2026

Seu filho conversa com brinquedos de IA? Pediatras alertam para riscos emocionais e de privacidade

Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda cautela com produtos que conversam, simulam amizade e armazenam informações pessoais; famílias devem verificar riscos antes da compra

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 17:32h • 22 de outubro de 2026

Sem telescópio, moradores de Assis poderão observar Saturno próximo da Lua neste fim de semana

Fenômeno poderá ser observado após o pôr do Sol, nos dias 23 e 24 de outubro, sem necessidade de telescópio; Lua servirá de referência para localizar o planeta

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:05h • 22 de outubro de 2026

São Paulo lança cartilha para acolher turistas LGBTQIA+ e ampliar o turismo inclusivo

Levantamento mostra que 30 municípios paulistas já desenvolvem ações voltadas à diversidade; publicação orienta hotéis, restaurantes e destinos turísticos sobre atendimento respeitoso

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 16:22h • 22 de outubro de 2026

Música e teatro sem mensalidade: projeto do Conservatório de Tatuí chega à sexta temporada

Nova temporada reúne videoaulas com especialistas, incluindo o contrabaixista Michael Pipoquinha, e permite aprender técnicas musicais e conceitos artísticos sem sair de casa

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 15:49h • 22 de outubro de 2026

Câmara avança com projeto que proíbe penas e plumas de animais em fantasias e adereços

Proposta aprovada em comissão prevê multas de até R$ 1 milhão e abre discussão sobre proteção animal e preservação das manifestações culturais brasileiras

Descrição da imagem

Mundo • 15:04h • 22 de outubro de 2026

Quer morar na Itália e trabalhar online? Conheça as regras do visto para nômades digitais

Autorização permite morar legalmente no país por um ano, com possibilidade de renovação; candidatos precisam comprovar experiência profissional, renda e seguro de saúde

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 14:29h • 22 de outubro de 2026

Estados Unidos revogam mais de 300 mil vistos e brasileiros precisam ficar atentos antes de viajar

Número de cancelamentos cresceu rapidamente nos últimos dois meses; ter um visto válido no passaporte não garante autorização para entrar no país

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 13:44h • 22 de outubro de 2026

Quedas levam mais de 330 mil crianças à internação no Brasil; São Paulo lidera ranking

Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria aponta média de 33 mil hospitalizações por ano; crianças de 5 a 9 anos são as mais atingidas

As mais lidas do mês

Política

Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar

Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos