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Responsabilidade Social • 14:30h • 18 de maio de 2026

O que precisamos saber sobre o El Niño e seus impactos para o Brasil?

Entrevista com Gilvan Sampaio, meteorologista do INPE, ajuda a compreender o que é o aquecimento anormal nas águas do Pacífico equatorial, o que se sabe sobre a perspectiva do fenômeno para 2026 e a relação com a mudança do clima

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Arquivo Âncora1

s chances de o fenômeno El Niño se confirmar no segundo semestre e persistir até o fim de 2026 são de 82%, segundo o prognóstico mensal atualizado nesta quinta-feira (14/05) pelo Centro de Previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), órgão que monitora a temperatura no oceano Pacífico equatorial.
s chances de o fenômeno El Niño se confirmar no segundo semestre e persistir até o fim de 2026 são de 82%, segundo o prognóstico mensal atualizado nesta quinta-feira (14/05) pelo Centro de Previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), órgão que monitora a temperatura no oceano Pacífico equatorial.

As chances de o fenômeno El Niño se formar no segundo semestre e permanecer até o fim de 2026 chegaram a 82%, segundo previsão atualizada divulgada na quinta-feira (14) pelo Centro de Previsão da NOAA, agência climática dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento das temperaturas do oceano Pacífico Equatorial. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda é cedo para definir qual será a intensidade do fenômeno.

Modelos climáticos ainda têm baixa precisão

O meteorologista Gilvan Sampaio, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e especialista em El Niño, explica que o período atual é considerado uma estação de transição climática, o que reduz a confiabilidade dos modelos meteorológicos.

Segundo ele, apenas o aquecimento das águas do Pacífico não é suficiente para confirmar um El Niño forte. Ainda é necessário acompanhar a evolução da atmosfera e dos ventos na região nos próximos meses. A expectativa é que, a partir de junho, os modelos apresentem previsões mais precisas.

O que mostram as águas do Pacífico

Imagens recentes divulgadas por órgãos de monitoramento climático indicam uma grande massa de água mais quente do que a média avançando pelo oceano Pacífico em direção à costa oeste da América do Sul.

Esse aquecimento ocorre em profundidades entre 100 e 150 metros e pode favorecer a formação do El Niño. No entanto, especialistas alertam que o fenômeno ainda pode perder força rapidamente, já que as condições oceânicas e atmosféricas continuam instáveis.

Como o El Niño é identificado

O El Niño é caracterizado quando as temperaturas da água do Pacífico Equatorial permanecem acima da média por vários meses consecutivos em áreas específicas monitoradas internacionalmente.

Além do aquecimento do oceano, é necessário que ocorram alterações na atmosfera, especialmente o enfraquecimento dos ventos alísios — correntes de ar que sopram de leste para oeste na Linha do Equador. Essas mudanças alteram a circulação atmosférica global e influenciam diretamente o regime de chuvas e temperaturas em várias partes do planeta.

Possíveis impactos no Brasil

Os efeitos do El Niño variam conforme a região brasileira e a época do ano.

No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma provocar períodos de seca, principalmente na Amazônia oriental e no norte nordestino. Já na Região Sul, o principal impacto é o aumento das chuvas, especialmente durante a primavera.

Segundo Gilvan Sampaio, caso o El Niño se confirme entre julho e agosto, o Sudeste poderá ter um inverno menos frio e períodos mais frequentes de ondas de calor. Dependendo da intensidade, as temperaturas podem ficar acima da média histórica nos próximos meses.

Mudanças climáticas agravam os efeitos

O pesquisador destaca que o principal motivo de preocupação não deve ser apenas o El Niño, mas o avanço das mudanças climáticas globais. Segundo ele, o fenômeno atua como um intensificador dos eventos extremos provocados pelo aquecimento global.

Isso significa aumento de ondas de calor, secas severas e episódios de chuvas intensas, que vêm se tornando mais frequentes em diversas regiões tropicais do planeta.

Agricultura e reservatórios podem ser afetados

A persistência do aquecimento das águas do Pacífico pode trazer impactos importantes para setores estratégicos do país.

No Sul do Brasil, o excesso de chuvas pode prejudicar lavouras e causar transtornos à produção agrícola. Já no Sudeste e Centro-Oeste, o inverno mais quente e seco pode atrasar a próxima estação chuvosa e agravar a situação dos reservatórios de água.

Especialistas alertam que, caso a seca continue, os problemas de abastecimento podem se intensificar em 2027.

Amazônia tem diferentes tipos de seca

As secas na Amazônia podem ser provocadas por mecanismos diferentes. O El Niño costuma afetar principalmente o norte e o leste da floresta durante o primeiro semestre do ano.

Já as secas que atingem áreas do oeste e sudoeste da Amazônia, como Acre e Rondônia, geralmente estão ligadas ao aquecimento do Atlântico Tropical Norte. No momento, porém, não há sinais significativos desse aquecimento no oceano Atlântico.

Fenômeno pode ficar mais frequente no futuro

Embora ainda não seja possível afirmar com certeza, pesquisadores apontam que os episódios de El Niño podem se tornar mais frequentes e intensos ao longo das próximas décadas devido ao aquecimento global.

Estudos climáticos indicam que, até o fim do século, algumas regiões poderão apresentar condições semelhantes a um “El Niño quase permanente”, com aumento das chuvas no Sul e redução das precipitações na Amazônia e no Nordeste.

Monitoramento no Brasil

No Brasil, o monitoramento oficial do El Niño é realizado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, ligado ao INPE. O órgão deve lançar em breve um novo boletim especial de acompanhamento do fenômeno, semelhante ao divulgado durante o El Niño de 2023.

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