Saúde • 12:35h • 19 de fevereiro de 2026
Obesidade infantil causa danos vasculares precoces, indica estudo com crianças paulistas
Investigação realizada com 130 participantes entre 6 e 11 anos mostrou que inflamação associada à obesidade e sobrepeso afeta funcionamento do endotélio – camada que reveste os vasos sanguíneos –, abrindo caminho para doenças como aterosclerose, infarto e AVC
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
A obesidade na infância pode provocar impactos diretos e precoces na saúde cardiovascular. É o que mostra uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 130 crianças de 6 a 11 anos. O estudo identificou que o excesso de peso, por si só, já é capaz de desencadear inflamação e alterações nos vasos sanguíneos, aumentando o risco futuro de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), encontrou sinais precoces de inflamação e disfunção no endotélio — camada que reveste os vasos — em crianças com sobrepeso e obesidade.
Segundo a pesquisadora Maria do Carmo Pinho Franco, autora do estudo, os resultados reforçam a gravidade da obesidade infantil e a necessidade de ações preventivas desde cedo, especialmente em populações socialmente vulneráveis. Ela explica que o excesso de gordura provoca uma inflamação crônica de baixo grau, que mantém o organismo em alerta constante e acelera o envelhecimento das células do sistema imunológico.
Os pesquisadores observaram que crianças com excesso de peso já apresentam lesões nas células do endotélio, consideradas fundamentais para a saúde vascular. Esse processo indica que o adoecimento cardiovascular pode começar ainda na infância, antes mesmo do surgimento de outros fatores de risco.
Entre os achados, foram identificados níveis elevados de marcadores inflamatórios no sangue e pior desempenho em testes que avaliam a função dos microvasos. Também foram registradas alterações em indicadores como índice de massa corporal, circunferência da cintura e pressão arterial.
A pesquisa foi realizada com crianças atendidas em um centro da juventude na capital paulista, com apoio de profissionais voluntários. Além da análise clínica e laboratorial, o projeto incluiu ações educativas com responsáveis e merendeiras, incentivando a substituição de alimentos ultraprocessados por opções mais saudáveis.
Os autores alertam que, sem intervenção precoce, crianças com obesidade têm maior probabilidade de se tornarem adultos com doenças cardiovasculares e metabólicas, o que representa um risco crescente para a saúde pública e para o sistema de saúde do país.
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