Saúde • 11:09h • 16 de março de 2026
Obesidade infantil cresce no mundo e pode superar desnutrição nos próximos anos
Relatório internacional aponta aumento de 20,7% entre jovens de 5 a 19 anos e acende alerta para saúde pública
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Optima Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O avanço da obesidade entre crianças e adolescentes tem preocupado especialistas em saúde pública no mundo. Um relatório da World Obesity Federation (Federação Mundial da Obesidade) aponta que a prevalência da doença entre jovens de 5 a 19 anos cresceu 20,7% e pode ultrapassar a desnutrição nos próximos anos.
A projeção indica que, até 2027, o número de crianças e adolescentes com excesso de peso deverá superar o total daqueles que vivem abaixo do peso no mundo, evidenciando uma mudança no perfil nutricional global.
Para o médico clínico Marcelo Bechara, especialista em hormonologia, reposição hormonal e longevidade, o aumento da obesidade entre jovens representa um desafio crescente para os sistemas de saúde. Segundo Bechara, a obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença e está diretamente associada ao surgimento de diversas outras condições crônicas.
O acúmulo excessivo de gordura corporal pode aumentar o risco de problemas como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer, além de contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares ao longo da vida.
Esse conjunto de fatores acaba ampliando o impacto econômico e social da doença, uma vez que a obesidade pode gerar maior demanda por tratamentos médicos e sobrecarregar os sistemas de saúde pública. Além dos fatores genéticos e metabólicos, especialistas apontam que mudanças no estilo de vida têm contribuído para o aumento do sobrepeso entre crianças e adolescentes.
Entre os principais fatores estão o sedentarismo, o aumento do tempo de exposição a telas e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio. Bechara destaca que dois elementos têm se destacado como fatores de risco importantes na rotina de crianças e jovens: o tempo excessivo em frente a dispositivos eletrônicos e a alimentação baseada em produtos industrializados.
A permanência prolongada em celulares, tablets, computadores e videogames reduz o tempo dedicado a atividades físicas, enquanto o consumo de produtos como refrigerantes, doces, biscoitos e fast food contribui para o aumento do peso corporal.
Para especialistas, a prevenção da obesidade infantil envolve mudanças simples, mas constantes no cotidiano das famílias. Entre as principais medidas estão a redução do tempo de telas, o estímulo à prática regular de esportes e atividades físicas, além da adoção de hábitos alimentares mais equilibrados.
Incentivar brincadeiras ao ar livre, promover refeições com alimentos naturais e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados são estratégias que ajudam a melhorar a saúde de crianças e adolescentes.
Para médicos e pesquisadores, enfrentar o crescimento da obesidade infantil exige não apenas mudanças individuais, mas também políticas públicas voltadas à promoção da alimentação saudável, à educação nutricional e ao incentivo à atividade física desde a infância.
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