Esporte • 19:38h • 12 de julho de 2026
Onde estão os próximos craques? Dado sobre a base ajuda a explicar desafio do futebol brasileiro
Dos mais de 1.200 clubes do país, apenas 72 possuem o CCF; em Minas Gerais, Villa Nova SAF retoma categorias de base e abre seletiva Sub-13 neste domingo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O desempenho da Seleção Brasileira nas últimas Copas voltou a colocar a formação de novos jogadores no centro do debate sobre o futuro do futebol nacional. Hoje, apenas 72 dos mais de 1.200 clubes em atividade no país possuem o Certificado de Clube Formador (CCF), concedido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O número representa cerca de 6% das equipes e expõe o desafio de desenvolver atletas em ambientes oficialmente reconhecidos e estruturados.
O CCF estabelece critérios esportivos, educacionais, sociais e de proteção aos jovens em formação. Para obter a certificação, os clubes precisam comprovar estrutura física adequada, alimentação, alojamento, suporte escolar, assistência médica e acompanhamento psicológico, entre outras exigências relacionadas ao desenvolvimento dos atletas.
Para Sergio Pinheiro, CEO do Villa Nova SAF, a renovação do futebol brasileiro começa antes das convocações para a Seleção. Segundo ele, a estrutura das categorias iniciais é responsável por desenvolver talentos, fortalecer a identidade esportiva dos clubes e criar oportunidades para jovens. A conquista do CCF está entre as metas do Villa Nova SAF para 2026.
A base que sustenta o futuro do futebol
Sustentar categorias de formação exige investimento contínuo e equipes multidisciplinares. De acordo com Sergio Pinheiro, limitações financeiras podem impedir até mesmo clubes de maior porte de manter uma cadeia completa com quatro categorias, afetando a continuidade do desenvolvimento de novos jogadores.
Em Nova Lima, Minas Gerais, o Villa Nova SAF retomou oficialmente neste ano as categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20, após um período de quase uma década de desativação do trabalho de formação. O projeto agora avança para a reestruturação do Sub-13, dentro de um modelo inspirado nas práticas adotadas pelo Boston City Group.
A estrutura atende cerca de 150 atletas ao longo da temporada e mobiliza aproximadamente 100 profissionais direta e indiretamente. O Centro de Treinamento possui quatro campos em padrão FIFA, alojamento para até 100 jogadores e acompanhamento de nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, além de suporte médico em parceria com a Rede Mater Dei.
Seletiva Sub-13 acontece neste domingo
Como parte da ampliação da base, o Villa Nova SAF realiza neste domingo, 12 de julho, uma seletiva para atletas nascidos em 2013 e 2014. A avaliação acontece das 9h às 12h, no Centro de Treinamento do clube, em Nova Lima, com credenciamento previsto para as 7h30.
Os participantes devem apresentar atestado médico que comprove aptidão para a prática esportiva e documento de identificação. Também é obrigatório comparecer com chuteiras, meião, short e camisa preta. Em abril, avaliações para as categorias Sub-15 e Sub-17 reuniram mais de 300 jovens interessados em integrar a base do Leão do Bonfim.
O modelo de formação adotado pelo clube busca integrar as categorias de base ao elenco profissional, com metodologia unificada e acompanhamento multidisciplinar. A gestão foi implantada após a chegada da SAF liderada pelo Boston City Group, conglomerado com operações ligadas ao Boston City FC Brasil, Americano, do Rio de Janeiro, e Boston City FC, nos Estados Unidos.
Formar jogadores e preparar jovens para a vida
O histórico do grupo inclui atletas que chegaram ao futebol profissional no Brasil e no exterior. Pedro Manoel do Patrocínio Cruz da Silva atua no Tammeka Jalgpallikool, da Estônia; Juan Lopes da Silva defende o Académico de Viseu FC, em Portugal; e Guilherme Luiz Oliveira da Silva joga no Göztepe Spor Kulübü, da Turquia. No Brasil, Paulo Vitor Monteiro pertence ao Atlético Mineiro e está emprestado ao Avaí.
No Villa Nova SAF, a formação também inclui cinco refeições diárias, acompanhamento escolar, suporte às famílias e atividades voltadas ao desenvolvimento emocional e comportamental. Os atletas recebem ainda orientações sobre gestão de imagem, comportamento profissional e preparação psicológica para a carreira.
“O futebol brasileiro sempre foi reconhecido pela revelação de talentos, mas isso só continuará acontecendo se os clubes entenderem que a formação exige estrutura, responsabilidade e visão de longo prazo”, afirma Sergio Pinheiro.
Com apenas cerca de 6% dos clubes brasileiros certificados atualmente como formadores pela CBF, a discussão sobre a reconstrução da base ganha peso em um momento de questionamentos sobre os resultados da Seleção. O desafio passa por ampliar estruturas capazes de identificar talentos e acompanhá-los durante um processo que começa muitos anos antes de uma convocação para a Copa do Mundo.
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