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Saúde • 09:20h • 10 de janeiro de 2026

Oscilações hormonais influenciam imunidade feminina e desafiam pesquisas científicas

Estudos analisados mostraram ainda que o exercício físico, mesmo não revertendo a queda do estradiol, atua como uma ferramenta poderosa para prevenir e tratar os efeitos negativos do envelhecimento

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Apesar do entendimento sobre a relação entre oscilações hormonais e sistema imunológico ter avançado, ainda não há consenso entre os cientistas sobre os reais impactos do ciclo menstrual, da perimenopausa e da menopausa na imunidade das mulheres.
Apesar do entendimento sobre a relação entre oscilações hormonais e sistema imunológico ter avançado, ainda não há consenso entre os cientistas sobre os reais impactos do ciclo menstrual, da perimenopausa e da menopausa na imunidade das mulheres.

As variações hormonais ao longo da vida das mulheres têm papel central no funcionamento do sistema imunológico. As oscilações de estrogênio e progesterona atuam diretamente em nível celular, alterando o perfil inflamatório do organismo. No período que antecede a menstruação, conhecido como fase lútea, a atividade inflamatória tende a ser mais intensa. Já na menopausa, a queda dos hormônios sexuais favorece um estado pró-inflamatório, associado a maior risco de problemas de saúde.

Apesar dos avanços no entendimento dessa relação, ainda não há consenso científico sobre os impactos reais do ciclo menstrual, da perimenopausa e da menopausa na imunidade feminina. Um dos principais entraves é metodológico. Revisão conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente, com apoio da Fapesp, mostrou que muitos estudos utilizam critérios simplificados para identificar as fases do ciclo menstrual, como aplicativos de celular, o que compromete a precisão dos resultados.

Segundo a pesquisadora Barbara de Moura Antunes, responsável pelo estudo, esses métodos apenas indicam se a mulher está menstruando ou não, sem diferenciar fases fundamentais como folicular, ovulatória ou lútea. Cada uma delas apresenta níveis distintos de estrogênio e progesterona, com efeitos específicos sobre o sistema imunológico. A falta dessa caracterização adequada gera resultados contraditórios e dificulta avanços consistentes no campo.

A pesquisadora destaca que essa limitação reflete um problema histórico da ciência, que por muitos anos priorizou estudos com homens ou animais machos, ignorando a dinâmica hormonal feminina. Como o organismo da mulher passa por flutuações constantes ao longo da vida, desconsiderar esse fator compromete a compreensão da saúde feminina como um todo.

Publicado na revista Maturitas, o estudo abre caminho para novas investigações mais rigorosas. A próxima etapa será a realização de uma pesquisa original com mulheres brasileiras, com o objetivo de analisar como as flutuações hormonais, associadas ao nível de atividade física, influenciam a resposta inflamatória e imunológica.

A pesquisa será dividida em duas fases. A primeira envolverá mulheres entre 18 e 35 anos, classificadas de acordo com a aptidão cardiorrespiratória, para avaliar como as diferentes fases do ciclo menstrual modulam a inflamação. A segunda incluirá mulheres na pré-menopausa, menopausa e pós-menopausa, também organizadas por nível de condicionamento físico, para investigar os efeitos do declínio hormonal.

Evidências já apontam que, da menstruação até a ovulação, o estrogênio elevado e a progesterona baixa favorecem respostas anti-inflamatórias e melhor desempenho físico e cognitivo. Na fase lútea, o aumento da progesterona e a queda do estrogênio tornam o organismo mais suscetível à inflamação, à fadiga e à recuperação muscular mais lenta. Na menopausa, a redução acentuada do estradiol está associada a doenças cardiovasculares, sarcopenia, osteoporose e alterações metabólicas.

Os estudos também indicam que o exercício físico, embora não reverta a queda hormonal, atua como uma ferramenta essencial para reduzir inflamações, fortalecer músculos e ossos e preservar a saúde geral das mulheres em todas as fases da vida.


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