Responsabilidade Social • 07:25h • 01 de outubro de 2026
Outubro Rosa Pet: câncer de mama em gatas pode ser silencioso e altamente agressivo
Doença pode começar com pequenos nódulos e evoluir de forma agressiva; castração precoce e avaliação veterinária ao primeiro sinal são importantes para reduzir riscos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
Uma pequena alteração percebida durante um carinho na barriga da gata pode exigir atenção rápida. Entre 80% e 90% dos tumores mamários identificados em felinos são malignos, proporção que fica em torno de 50% nas cadelas, segundo dados do Manual MSD de Veterinária citados pelo professor de Medicina Veterinária da UniCesumar Vinicius Gonzalez Peres Albernaz. A diferença torna especialmente importante investigar qualquer nódulo encontrado na cadeia mamária.
Embora a incidência geral desses tumores seja menor nos gatos, a doença apresenta comportamento mais agressivo na espécie. Mesmo lesões pequenas podem ter potencial de invasão dos tecidos e disseminação para outras regiões do organismo.
Segundo o especialista, pesquisas indicam que mais de 50% das gatas com tumor mamário já apresentam células tumorais fora da cadeia mamária no momento do diagnóstico inicial, com possível comprometimento da musculatura local ou dos gânglios linfáticos.
“Gatos não são cães pequenos. Eles possuem características biológicas e genéticas distintas, o que resulta em doenças com comportamentos completamente diferentes”, explica Albernaz. Segundo ele, iniciar a abordagem clínica enquanto a lesão ainda é pequena aumenta as possibilidades de sucesso no tratamento.
O que o tutor pode perceber em casa
Nos estágios iniciais, um dos principais sinais é a presença de pequenos nódulos palpáveis sob a pele, ao longo da região que vai da axila à virilha. Vermelhidão, inchaço, secreções e feridas que não cicatrizam também podem aparecer.
Em fases avançadas, especialmente quando ocorre metástase, podem surgir dificuldade para respirar, tosse, perda de peso, falta de apetite, apatia, fraqueza e dores ósseas. A doença, entretanto, também pode evoluir sem sinais evidentes até estágios mais avançados.
Por isso, a orientação diante de qualquer volume anormal na região mamária é procurar avaliação veterinária. O diagnóstico precoce permite definir a conduta adequada antes de uma eventual progressão da doença.
Anticoncepcionais e injeções hormonais aumentam o risco
Outro ponto de atenção é o uso de anticoncepcionais e injeções hormonais em gatos. De acordo com Albernaz, essas substâncias constituem o principal fator de risco evitável para o desenvolvimento de tumores mamários em felinos de ambos os sexos.
A castração precoce aparece no sentido oposto. Segundo os dados apresentados pelo especialista, quando realizada antes dos seis meses de vida, o risco de câncer de mama em gatas cai para 9%. Se o procedimento ocorrer antes de um ano, o risco indicado é de 14%.
Apesar de muito mais frequente nas fêmeas, o câncer mamário também pode atingir gatos machos, correspondendo a aproximadamente 0,5% dos casos. Segundo o especialista, quando ocorre nos machos, a doença apresenta agressividade ainda maior.
Tratamento depende da avaliação do caso
Nos animais diagnosticados, a abordagem pode envolver a remoção cirúrgica das cadeias mamárias e dos linfonodos regionais, conforme avaliação veterinária. Dependendo do quadro, o tratamento também pode incluir quimioterapia, terapias-alvo ou cuidados paliativos.
A alta proporção de malignidade diferencia o câncer mamário felino de muitos quadros observados em cães e ajuda a explicar por que um nódulo aparentemente pequeno não deve ser ignorado. A recomendação é que qualquer alteração percebida nas mamas seja avaliada por um médico-veterinário.
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