Saúde • 15:16h • 12 de janeiro de 2026
Pacientes com câncer colorretal são diagnosticados em estágio avançado
Demora no diagnóstico reduz de forma acentuada possibilidade de cura
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgaçã0
Um estudo da Fundação do Câncer revela que a maioria dos casos de câncer colorretal registrados no Brasil é diagnosticada em fases avançadas da doença. Entre 177 mil ocorrências atendidas em hospitais públicos e privados ao longo de quase uma década, mais de 60% foram identificadas em estágios tardios, o que reduz de forma significativa as chances de cura.
Os dados evidenciam que a demora no diagnóstico tem impacto direto na evolução da doença. De acordo com o diretor-executivo da Fundação do Câncer, o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, chama a atenção o grande volume de pacientes que chegam ao sistema de saúde já com o câncer disseminado. Segundo ele, cerca de metade dos casos é diagnosticada no estágio metastático e outros 25% no estágio 3, o que representa um cenário considerado crítico.
O levantamento reforça a importância do diagnóstico precoce e do rastreamento. A orientação é que qualquer sintoma, mesmo leve, seja investigado o quanto antes em um serviço de saúde. Para Maltoni, políticas públicas que convoquem ativamente a população-alvo para a realização de exames são fundamentais, pois permitem identificar não apenas tumores, mas também lesões precursoras, antes da evolução para o câncer.
No Brasil, o exame inicial para detecção precoce do câncer colorretal é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, por ser menos custosa. Caso o resultado seja positivo, a investigação prossegue com a colonoscopia. Atualmente, o rastreamento é indicado a partir dos 50 anos, mas a análise dos dados mostra que a maior concentração de casos ocorre justamente entre 50 e 60 anos, o que pode indicar a necessidade de antecipar a faixa etária de início dos exames.
A Fundação do Câncer defende que o rastreamento passe a ser realizado a partir dos 45 anos, ou até antes, para identificar lesões iniciais e evitar que pólipos e adenomas evoluam para tumores malignos. O estudo também destaca a importância da prevenção primária, relacionada aos hábitos de vida. Há correlação direta entre obesidade, tabagismo e maior incidência de câncer colorretal, especialmente em regiões com taxas elevadas desses fatores de risco.
Entre os casos analisados, o câncer de cólon e reto é mais frequente entre pessoas brancas, seguido por pessoas negras. As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos diagnósticos e da infraestrutura de tratamento. Já o maior deslocamento de pacientes em busca de atendimento ocorre no Centro-Oeste, onde quase um quinto dos doentes precisa se tratar em outras regiões, seguido pelo Norte.
As projeções da Fundação do Câncer indicam um crescimento expressivo da doença nas próximas décadas, com aumento estimado de 21% no número de casos e cerca de 40 mil mortes anuais. Para Maltoni, o cenário é alarmante e reflete o envelhecimento da população e a ausência de uma estratégia sólida de prevenção e diagnóstico precoce.
Na avaliação do especialista, a mudança desse quadro depende de uma política pública permanente, liderada pelo Ministério da Saúde, nos moldes de programas adotados em outros países, como o envio de kits de coleta domiciliar para rastreamento. Ele defende que ações estruturadas, contínuas e independentes de governos são essenciais para reduzir a incidência e a mortalidade pela doença, a exemplo do que ocorreu com a política de controle do tabaco.
O estudo também aponta que capitais com maiores índices de fumantes e obesidade apresentam taxas mais elevadas de câncer colorretal, reforçando a necessidade de políticas voltadas à alimentação saudável, à prática de atividade física e ao combate ao tabagismo. Quase metade dos casos está concentrada na Região Sudeste, e a maioria dos pacientes tem 50 anos ou mais, o que reforça a urgência de ampliar e antecipar as estratégias de rastreamento no país.
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