Política • 08:26h • 30 de setembro de 2026
Padroeira do Brasil pode perder o título? Entenda a controvérsia que chegou à campanha presidencial
Registros citados na controvérsia incluem posição de pastor pela retirada do reconhecimento nacional da santa, críticas à devoção mariana e uma proposta apresentada ao Congresso em 2007 que não foi aprovada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via CUT | Foto: Arquivo/Âncora1
Nossa Senhora Aparecida voltou ao centro do debate político e religioso durante a campanha presidencial após circularem informações de que pessoas ligadas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem a retirada do reconhecimento nacional da santa católica. O candidato classificou a informação como falsa, enquanto declarações e registros anteriores voltaram a ser apresentados no debate público. A proposta legislativa citada na controvérsia não foi aprovada e, portanto, Nossa Senhora Aparecida continua reconhecida como Padroeira do Brasil.
A santa foi proclamada Padroeira do Brasil pelo papa Pio XI em 1930. Já o 12 de outubro é feriado nacional por força de lei federal sancionada em 1980. A proposta apresentada ao Congresso em 2007 para retirar o reconhecimento nacional não produziu mudança nessa condição.
Entre os episódios recuperados está a posição do pastor JB Carvalho, da Comunidade das Nações, igreja frequentada por Flávio Bolsonaro e sua esposa e onde, segundo o material apresentado, ambos foram batizados. Carvalho registrou em livro uma posição favorável à retirada do reconhecimento nacional de Nossa Senhora Aparecida.
Também voltou a circular uma manifestação atribuída a um assessor de Flávio Bolsonaro com críticas à devoção católica a Maria, classificada por ele como idolatria. Essas manifestações passaram a integrar a discussão sobre as posições de integrantes do entorno político e religioso do candidato.
Igreja Católica acompanha episódios de intolerância desde 2019, segundo UOL
A jornalista Daniela Lima, do UOL, informou ter tido acesso a documentos produzidos e debatidos internamente pela Igreja Católica que registram o acompanhamento de episódios de intolerância religiosa e ataques a símbolos de diferentes crenças.
Segundo a reportagem, esse acompanhamento aparece de forma mais sistemática a partir de 2019 e inclui manifestações contra católicos, judeus e religiões de matriz africana. O assunto também teria sido discutido em conferências, seminários e reuniões da cúpula da Igreja Católica no país.
Entre os temas mencionados na documentação, conforme a apuração do UOL, aparecem ataques contra Nossa Senhora Aparecida e discussões envolvendo setores neopentecostais na política. A reportagem também relacionou esse contexto a um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro em 23 de agosto, no qual ele afirmou que, se eleito, decretaria “Jesus Cristo o Senhor do Brasil”.
Episódio de 1995 marcou relação com símbolo católico
O conflito em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida tem um precedente de grande repercussão. Em 1995, Sérgio von Helde, então ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma imagem da santa durante um programa de televisão. O episódio ficou conhecido como “chute na santa” e provocou forte reação de setores católicos.
A controvérsia atual também ocorre após a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) rebater declarações de Flávio Bolsonaro contra integrantes da Igreja Católica. Bispos também se manifestaram publicamente no contexto das divergências.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o assunto e afirmou que “esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”. Ele mencionou ainda o episódio ocorrido em 1995.
Apesar da disputa política e religiosa em torno do tema, não houve mudança no reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil nem no feriado nacional de 12 de outubro. A proposta legislativa mencionada na controvérsia permanece sem aprovação.
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