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Saúde • 07:36h • 18 de março de 2026

Para eliminar câncer de colo do útero, é preciso ampliar vacinação contra HPV

Diretora da Divisão de Imunização da Secretaria da Saúde de São Paulo enaltece eficácia e segurança da vacina, que há 12 anos integra Calendário Nacional de Vacinação

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Alesp | Foto: Arquivo Âncora1

Apesar dos avanços, a cobertura ainda não atingiu o patamar de 90%, recomendado pelo Ministério da Saúde e por agências internacionais.
Apesar dos avanços, a cobertura ainda não atingiu o patamar de 90%, recomendado pelo Ministério da Saúde e por agências internacionais.

A busca por uma cura definitiva para o câncer acompanha a ciência há décadas. O desafio é grande porque existem muitos tipos da doença, que respondem de formas diferentes aos tratamentos. No entanto, há cerca de 20 anos a medicina passou a contar com uma ferramenta importante para impedir o desenvolvimento de um dos cânceres mais comuns entre as mulheres: o câncer de colo do útero.

Vacina como principal proteção

Desenvolvida em 2006 na Austrália, a vacina contra o HPV (papilomavírus humano) é considerada a forma mais eficaz de prevenção contra esse tipo de câncer. Quando a vacinação atinge cobertura elevada — acima de 90% da população — e ocorre de maneira uniforme em todo o território, a doença pode até ser eliminada.

Segundo especialistas, o imunizante é seguro e apresenta apenas efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação. No Brasil, a vacina passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação em 2014. A versão oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é quadrivalente, protegendo contra quatro tipos do vírus responsáveis pela maioria dos casos de câncer e verrugas genitais.

Hoje, além do Brasil, pelo menos 50 países incluem a vacina contra o HPV em seus programas de imunização. A Austrália, onde o imunizante foi desenvolvido, já apresenta resultados expressivos: em 2021, nenhuma mulher com menos de 25 anos foi diagnosticada com câncer de colo do útero, segundo dados do Ministério da Saúde do país.

Ampliação da vacinação

Desde que foi incluída no calendário de imunização, a estratégia de vacinação passou por mudanças importantes. Inicialmente voltada apenas para meninas de 11 a 13 anos, a campanha foi ampliada em 2017 para incluir também os meninos. Com o tempo, a faixa etária recomendada foi expandida.

Atualmente, o público prioritário são crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, faixa etária que apresenta melhor resposta ao imunizante, especialmente quando a vacina é aplicada antes do primeiro contato com o vírus. Outra mudança foi a adoção do esquema de dose única, após estudos comprovarem que apenas uma aplicação já garante proteção adequada e aumenta a adesão.

Para alcançar esse público, uma das principais estratégias adotadas pelos serviços de saúde é levar a vacinação para dentro das escolas, facilitando o acesso e ampliando a cobertura.

Desafios para ampliar a cobertura

Apesar dos avanços, a meta de vacinação ainda não foi plenamente alcançada. Autoridades de saúde apontam que a desinformação e a hesitação vacinal continuam sendo obstáculos para atingir o índice de 90% recomendado por organismos de saúde.

Entre os mitos mais comuns está a falsa ideia de que a vacina estimularia o início precoce da vida sexual. Especialistas reforçam que o imunizante protege contra um vírus e que a vacinação precoce é justamente uma forma de prevenção.

Outro desafio é alcançar adolescentes entre 15 e 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada. Muitos perderam a oportunidade durante a pandemia, quando a procura pelos serviços de saúde diminuiu. Por isso, o Ministério da Saúde ampliou temporariamente a vacinação para essa faixa etária, com campanha estendida até junho de 2026.

Prevenção e diagnóstico precoce

Março é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização sobre o câncer de colo do útero. A iniciativa reforça a importância da vacinação contra o HPV e da realização de exames periódicos, como o papanicolau, fundamentais para detectar precocemente alterações que podem evoluir para a doença.

No Brasil, o câncer de colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres e provoca mais de 7 mil mortes por ano. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam que o país registra cerca de 17 mil novos casos anualmente.

O que é o HPV

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus que infecta pele e mucosas e representa a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Ele pode afetar homens e mulheres e está associado, além do câncer de colo do útero, a tumores de ânus, pênis, vulva, vagina, boca e garganta.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ampliou a indicação da vacina nonavalente contra o HPV para incluir também a prevenção de cânceres de cabeça e pescoço, ampliando o potencial de proteção oferecido pelo imunizante.

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