Saúde • 08:23h • 16 de outubro de 2026
Parece mentira, mas em pleno 2026 ainda precisamos explicar que ivermectina não cura câncer
A desinformação ultrapassa os limites do absurdo quando falsas promessas de tratamento colocam em risco pacientes com câncer; Anvisa não reconhece eficácia do medicamento contra a doença
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Anvisa | Foto: Divulgação
A ivermectina não tem eficácia cientificamente comprovada para curar câncer, reduzir tumores ou substituir tratamentos oncológicos. Apesar disso, publicações nas redes sociais continuam apresentando o medicamento, indicado para determinadas infecções parasitárias, como uma suposta alternativa contra a doença. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que não existe indicação aprovada para esse uso e que a disseminação dessas informações pode colocar em risco a saúde de pacientes.
A desinformação se apoia principalmente em pesquisas preliminares realizadas em laboratório e em animais, nas quais a substância apresentou determinados efeitos sobre células tumorais. Entretanto, resultados obtidos nessas condições não demonstram que o medicamento seja eficaz ou seguro para tratar pessoas com câncer.
Desde 2019, conteúdos sobre o suposto potencial anticancerígeno da ivermectina circulam na internet. Algumas publicações mencionam ensaios clínicos e chegam a comercializar livros digitais e protocolos que apresentam o antiparasitário como parte essencial de tratamentos contra tumores.
Segundo a Anvisa, não há pedido ou estudo apresentado por laboratório à agência para incluir o tratamento oncológico entre as indicações aprovadas na bula da ivermectina.
Estudos em laboratório não comprovam cura em seres humanos
A investigação de possíveis efeitos de medicamentos sobre células cancerígenas faz parte das etapas iniciais da pesquisa científica. No entanto, uma substância capaz de apresentar resultados promissores em experimentos laboratoriais pode não demonstrar os mesmos benefícios em pacientes.
Um estudo publicado em 2024 na revista científica PLOS Biology apontou que apenas cerca de 5% dos medicamentos avaliados em testes com animais chegam a se tornar viáveis para utilização em seres humanos, considerando o cenário regulatório norte-americano.
Isso significa que a existência de pesquisas preliminares sobre a ivermectina não representa comprovação de eficácia contra o câncer nem autorização para seu uso como tratamento oncológico.
Abandonar tratamentos comprovados pode agravar a doença
O principal risco das falsas promessas é levar pacientes a interromper ou substituir tratamentos com eficácia demonstrada, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. A decisão pode reduzir as possibilidades de controle da doença e comprometer as chances de recuperação.
O uso de medicamentos sem acompanhamento médico também pode provocar efeitos adversos e interferir nos tratamentos prescritos, especialmente em pessoas que já apresentam condições de saúde fragilizadas.
Existem mais de 200 tipos de câncer, com características e necessidades terapêuticas diferentes. Por isso, a escolha do tratamento depende de fatores como o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições clínicas de cada paciente.
A orientação é não utilizar ivermectina com a finalidade de tratar câncer nem interromper terapias prescritas com base em informações divulgadas nas redes sociais. Qualquer mudança no acompanhamento oncológico deve ser discutida com a equipe médica responsável.
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