Saúde • 15:49h • 22 de fevereiro de 2026
Parkinson vai além do tremor e exige olhar ampliado para sintomas não motores
Especialista da Unicamp alerta para sintomas não motores, impacto emocional e falhas no acesso ao tratamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Parkinson é frequentemente associado ao tremor, mas a doença envolve um conjunto amplo de sintomas que vão além das alterações motoras e podem comprometer significativamente a qualidade de vida. Fadiga intensa, dores crônicas, alterações cognitivas, constipação, quedas de pressão, dificuldades de fala e problemas posturais estão entre as manifestações que muitas vezes passam despercebidas. O alerta é do neurocirurgião funcional Dr. Marcelo Valadares, pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Unicamp, que defende um olhar mais abrangente e empático sobre a condição.
Segundo Valadares, a avaliação clínica não deve se limitar aos sinais motores, já que os sintomas não motores podem ser igualmente debilitantes. A identificação precoce dessas manifestações é considerada fundamental para um acompanhamento mais eficaz e para reduzir impactos na autonomia do paciente.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o Parkinson atinge cerca de 1% da população mundial com mais de 65 anos. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 200 mil pessoas convivendo com a doença.
Progressão varia e impacto emocional é relevante
A evolução do Parkinson não é uniforme. Alguns pacientes permanecem estáveis por longos períodos, enquanto outros apresentam progressão mais rápida. Pacientes diagnosticados em idade produtiva, por volta dos 50 anos, podem enfrentar maior impacto na rotina profissional e social, especialmente diante de limitações motoras visíveis.
Além das dificuldades físicas, o componente emocional é expressivo. Estudos indicam que cerca de 50% dos pacientes podem apresentar sintomas depressivos, e até 20% desenvolvem quadros severos. Ansiedade e insegurança também são frequentes, especialmente diante da perda gradual de independência.
O especialista ressalta que o tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, apoio psicológico, fisioterapia e fonoaudiologia quando necessário. A escuta ativa e o acolhimento das queixas subjetivas são apontados como parte essencial do cuidado.
Desafios estruturais e acesso desigual
O acesso ao tratamento ainda é desigual no país. Embora grandes centros urbanos concentrem hospitais de referência no Sistema Único de Saúde, cidades menores enfrentam carência de profissionais especializados e de terapias complementares. A distribuição irregular de medicamentos também é citada como obstáculo para a continuidade do tratamento.
Outro desafio está na acessibilidade urbana. Barreiras arquitetônicas dificultam a mobilidade de pessoas com limitações motoras, ampliando a exclusão social. Há avanços pontuais, como a isenção de Imposto de Renda para aposentados e pensionistas com diagnóstico da doença, mas a medida não contempla pessoas que ainda estão em atividade profissional.
Inclusão e políticas públicas
Os impactos do Parkinson vão além do aspecto clínico e atingem famílias, que frequentemente assumem a função de cuidadoras sem suporte adequado. Para o neurocirurgião, ampliar a compreensão social sobre a doença é passo essencial para reduzir preconceitos e promover inclusão.
Ele defende políticas públicas mais estruturadas, ambientes de trabalho adaptados e maior integração entre saúde e assistência social. O manejo do Parkinson, afirma, deve ir além do controle do tremor e buscar preservar a participação ativa do paciente na vida social e profissional.
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