Ciência e Tecnologia • 15:13h • 08 de fevereiro de 2026
Pele de peixe amazônico pode virar embalagem sustentável para alimentos
Material desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste em parceria com a USP tem como matéria-prima biopolímeros extraídos da espécie amazônica conhecida como tambatinga
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Fábio Rosa Sussel/divulgação
Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um material biodegradável para embalagens de alimentos a partir da pele do peixe tambatinga, espécie amazônica criada a partir do cruzamento do tambaqui com a pirapitinga.
A pele desse peixe é rica em colágeno e costuma ser descartada pela indústria, mas pode se tornar uma matéria-prima sustentável. Por ser um peixe de origem tropical, sua pele tem características que ajudam a formar uma gelatina mais resistente e com boas propriedades para uso industrial.
Com apoio da Fapesp, os pesquisadores usaram a pele do peixe para produzir um biofilme, um material fino e flexível que pode substituir, pelo menos em parte, as embalagens feitas de plástico derivado do petróleo. O estudo foi publicado em uma revista científica internacional.
No processo, as peles foram limpas e passaram por um tratamento com água quente e ácido para retirar impurezas. Depois, a gelatina extraída foi transformada em um filme transparente, flexível e uniforme. O material apresentou boa resistência, ajudou a bloquear a luz ultravioleta e teve menor passagem de vapor de água quando comparado a outros filmes semelhantes.
Segundo os pesquisadores, o biofilme mostrou grande potencial, especialmente por reaproveitar um resíduo da indústria do pescado e reduzir impactos ambientais causados pelo uso excessivo de embalagens plásticas.
A principal limitação, por enquanto, é a sensibilidade à umidade. Por isso, o material é mais indicado para embalar alimentos secos, como castanhas e nozes.
A equipe pretende continuar os estudos para ampliar o uso do biofilme em embalagens de alimentos, além de possíveis aplicações nas áreas farmacêutica e biomédica. A proposta é agregar valor à aquicultura e incentivar soluções mais sustentáveis para a indústria.
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