Saúde • 10:52h • 14 de abril de 2026
Pequenas doses de antibiótico podem ajudar no controle de ataques de pânico, aponta estudo
Pesquisa indica alternativa com menos efeitos colaterais e potencial para novos tratamentos psiquiátricos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo indica que doses reduzidas de um antibiótico podem ajudar no tratamento do transtorno do pânico. Pesquisas realizadas com animais, na Universidade Estadual Paulista, e com humanos, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostraram que a minociclina pode ter efeito semelhante ao do clonazepam, medicamento amplamente utilizado nesses casos.
Os resultados, publicados na revista científica Translational Psychiatry, apontam que as doses utilizadas foram menores do que as empregadas no combate a infecções bacterianas, o que reduz o risco de desenvolvimento de resistência aos antibióticos.
Diferentemente dos tratamentos tradicionais, a minociclina atua com efeito anti-inflamatório sobre as micróglias, células do cérebro que apresentam maior inflamação em pessoas com transtornos psiquiátricos. Já o clonazepam age diretamente em receptores cerebrais ligados à ansiedade.
Nos experimentos, camundongos tratados com o antibiótico por 14 dias apresentaram redução nas respostas de pânico induzidas pela inalação de dióxido de carbono. Em humanos, o medicamento também diminuiu a intensidade das crises provocadas pelo mesmo estímulo.
O estudo envolveu 49 pacientes com diagnóstico de transtorno do pânico, que foram submetidos à inalação de dióxido de carbono antes e depois de sete dias de tratamento com minociclina ou clonazepam. A avaliação dos sintomas foi feita por especialistas.
Além da melhora clínica, foram observadas mudanças em marcadores inflamatórios no sangue dos participantes. Houve redução de substâncias associadas à inflamação, como interleucina seis e fator de necrose tumoral alfa, e aumento da interleucina dez, ligada à resposta anti-inflamatória.
Embora o clonazepam apresente respostas mais amplas em alguns casos, a minociclina surge como uma alternativa, principalmente para pacientes que não respondem ao tratamento convencional, que representam cerca de metade dos casos.
Outro ponto destacado é o perfil de efeitos colaterais. O clonazepam pode causar dependência e afetar funções como respiração, frequência cardíaca e capacidade de decisão. Já a minociclina, por ser um medicamento já conhecido, pode avançar mais rapidamente para novas fases de estudos clínicos.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos mais amplos para confirmar a eficácia e a segurança do uso da substância no tratamento do transtorno do pânico.
A pesquisa também abre caminho para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas baseadas na redução da inflamação cerebral, ampliando as possibilidades de tratamento para esse e outros transtornos psiquiátricos.
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