Responsabilidade Social • 20:42h • 04 de abril de 2026
Perda de animal de estimação vai além da tristeza e exige atenção à saúde
Perda de animal de estimação pode desencadear sintomas físicos e emocionais e exige acolhimento adequado para evitar agravamentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lilás Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A perda de um animal de estimação, muitas vezes tratada como algo menor, pode gerar impactos profundos na saúde emocional e física, segundo especialistas. O chamado luto pet, quando não reconhecido ou acolhido, pode desencadear uma série de sintomas no organismo, afetando desde o sono até a imunidade.
De acordo com a psicóloga Natália Nigro de Sá, doutora e especialista no tema, o corpo frequentemente reage à perda antes mesmo da mente conseguir processar o ocorrido. Quando a pessoa tenta reprimir a dor e sustentar que está bem, o organismo pode manifestar esse sofrimento de outras formas.
Entre os sinais mais comuns estão tensões musculares, especialmente na região dos ombros e mandíbula, alterações no sono e no apetite, cansaço persistente e problemas digestivos. Também podem ocorrer mudanças cognitivas e queda da imunidade. No comportamento, o luto não elaborado pode se apresentar tanto em explosões emocionais quanto em um estado de apatia, com dificuldade de sentir prazer ou conexão.
Outro indicativo relevante é a dificuldade em lidar com o silêncio. Muitos tutores evitam momentos de introspecção e tentam preencher a rotina com atividades constantes para não entrar em contato com a ausência. Há ainda comportamentos como evitar fotos, lugares ou até mencionar o nome do animal, numa tentativa de fugir da dor.
Luto pet pode afetar saúde física e emocional, alertam especialistas
Segundo a especialista, esse movimento de evitação pode dificultar o processo de elaboração do luto. A tentativa de parecer forte o tempo todo também é um fator de risco, pois reduz a busca por apoio e aumenta o sofrimento silencioso. Em alguns casos, o bloqueio emocional pode ir além da tristeza e atingir outras emoções, como alegria e empatia.
Quando não há espaço para o luto, existe o risco de evolução para quadros mais complexos e prolongados. O processo de perda, segundo a psicologia, exige movimento e reconhecimento para que possa ser integrado de forma saudável.
Caminhos para lidar com a perda
Especialistas apontam que o primeiro passo é validar o vínculo e a dor. A relação com o animal é real e significativa, e a ausência impacta diretamente a rotina e o emocional do tutor. Permitir-se sentir tristeza, saudade ou até raiva faz parte do processo. Rituais de despedida também podem contribuir para a elaboração da perda. Cerimônias, memoriais ou ações simbólicas ajudam o cérebro a compreender a irreversibilidade da situação e a ressignificar o vínculo.
Outro ponto importante é buscar equilíbrio entre momentos de dor e pausas emocionais. Alternar esses estados contribui para um processo mais saudável, sem negar a perda nem se afundar completamente nela. O suporte psicológico e grupos de apoio são recomendados, especialmente em casos de sofrimento intenso. O acompanhamento profissional pode ajudar a evitar que o luto se torne prolongado ou cause impactos mais severos na saúde.
Respeitar o próprio tempo também é essencial. Não há prazo definido para lidar com a perda, e a cobrança excessiva pode agravar o quadro emocional.
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