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Saúde • 10:11h • 21 de maio de 2026

Perto da Copa do Mundo, Saúde reforça vacinação contra o sarampo para viajantes

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alerta que os três países-sede do torneio convivem com surtos ativos do vírus. Imunização é essencial para quem viaja e também para os que ficam, já que aumenta o risco de casos importados

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Agência de notícias do Paraná | Foto: Arquivo Âncora1

 A Sesa orienta que a população procure a UBS mais próxima, com documento com foto, Cartão SUS e caderneta de vacinação em mãos, para conferir o histórico de doses e atualizar o que estiver pendente.
A Sesa orienta que a população procure a UBS mais próxima, com documento com foto, Cartão SUS e caderneta de vacinação em mãos, para conferir o histórico de doses e atualizar o que estiver pendente.

Menos de um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, que acontece nos Estados Unidos, Canadá e México, epicentros dos casos de sarampo na América, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça novamente a importância da vacinação contra a doença. A orientação é válida tanto para o paranaense que vai cruzar a fronteira para acompanhar o Mundial quanto para quem assiste aos jogos de casa, já que aumenta o risco de casos importados.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alerta que os três países-sede do torneio convivem com surtos ativos do vírus. O Canadá perdeu, em 2026, o certificado de país livre do sarampo por não conseguir interromper a transmissão por mais de 12 meses. Estados Unidos e México também registram transmissão em curso. Um único infectado pode contaminar até 18 pessoas, o que coloca arquibancadas, aeroportos e fluxos turísticos no radar das autoridades sanitárias.

No Brasil, foram três casos confirmados em 2026, sendo uma criança de 6 meses, residente em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia; um homem de 42 anos, morador da Guatemala; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, que trabalha em um hotel na cidade, segundo o Ministério da Saúde. No Paraná, dos 42 casos notificados no ano, 40 foram descartados e dois seguem em investigação.

O secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirma que o momento exige atenção redobrada da população, mesmo com o Estado fora da estatística de casos confirmados. “A Copa do Mundo é uma festa do esporte, mas também um período em que o vírus do sarampo pode encontrar caminho para voltar a circular. Quem vai viajar precisa procurar a unidade de saúde com antecedência e quem fica também tem que conferir a caderneta. Vacinar é um ato de responsabilidade coletiva”, destaca.

Segundo ele, manter as coberturas vacinais elevadas é o que tem segurado o avanço da doença no Paraná. Neves lembra que a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível de forma gratuita em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Estado. “A recomendação do Ministério da Saúde é tomar a dose pelo menos 15 dias antes do embarque, prazo necessário para que o organismo produza a resposta imunológica adequada”.

Acima da média nacional

A cobertura da tríplice viral no Paraná chega a 94,02% para a primeira dose e 83,83% para a segunda dose em crianças menores de 2 anos, uma das melhores coberturas vacinais do Brasil. A média nacional é de 89,85% e 76,06%, respectivamente. No entanto, a população adulta também precisa estar atenta e buscar a atualização da vacina.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, explica que o sarampo é uma doença contagiosa, que a transmissão pode ocorrer antes mesmo do aparecimento de manchas na pele, que a vacinação é segura e está disponível inclusive para adultos.

“O Paraná tem uma das melhores coberturas vacinais contra o sarampo em crianças do Brasil, mas o trabalho não termina aí. A vacina é segura, gratuita e a nossa principal arma de prevenção. Ao se vacinar antes de uma viagem, a pessoa não se protege apenas, mas impede que a doença seja trazida para sua família e sua comunidade”, diz.

O calendário regular prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Jovens e adultos até 29 anos devem comprovar duas doses ao longo da vida. Pessoas de 30 a 59 anos precisam ter ao menos uma dose. Profissionais da saúde recebem duas doses, independentemente da idade.

Calculadora digital

Para auxiliar o viajante a se organizar, a Sesa colocou no ar a Calculadora de Janela Imunológica do Sarampo, disponível no site Saúde do Viajante. Basta o usuário informar a data prevista do embarque para descobrir se ainda há tempo hábil para que a vacina faça efeito, já que o corpo leva entre 10 a 14 dias para desenvolver a proteção. Quem não consegue cumprir o prazo recebe a orientação de se vacinar mesmo assim, inclusive no dia da viagem, e de reforçar o uso de máscara e álcool em gel durante o trajeto.

Além disso, a Sesa e a Secretaria de Turismo (Setu) se reuniram para discutir estratégias de prevenção e vigilância. Durante o encontro foram debatidas ações integradas de orientação, monitoramento e reforço da vacinação, especialmente voltadas aos viajantes e ao fluxo internacional de pessoas.

A diretora de Gestão, Sustentabilidade e Qualificação do Turismo da Setu, Tatiana Nasser e Silva, explicou que o trabalho conjunto entre as duas pastas vai mobilizar todo o trade turístico paranaense, com foco em três pilares: a proteção dos profissionais que recebem visitantes, a orientação aos paranaenses que vão à Copa do Mundo e o uso da rede de governança e eventos do turismo para disseminar protocolos de saúde e identificar rapidamente qualquer suspeita.

“Precisamos conscientizar e informar que os nossos hotéis, bares, restaurantes, guias, locadores de veículos, entre outros, sejam os primeiros a garantir a vacinação de suas equipes”, diz Tatiana.

“Esses profissionais são as nossas linhas de frente, e a imunização é, antes de tudo, um equipamento de proteção indispensável para quem recebe visitantes do mundo inteiro, blindando o setor contra surtos que possam afetar nossa imagem e economia. Da mesma forma, precisamos alertar os paranaenses que irão à Copa do Mundo de que o cartão de vacina em dia é tão essencial quanto o passaporte”, afirma.

Sintomas

O sarampo costuma se manifestar com manchas vermelhas pelo corpo (exantema) e febre alta, acima de 38,5°C, acompanhada de um ou mais dos seguintes sinais: tosse seca, irritação nos olhos (conjuntivite), nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Em geral, entre o terceiro e o quinto dia surgem manchas no rosto e atrás das orelhas, que depois se espalham pelo restante do corpo. A persistência da febre após o aparecimento das manchas é sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos.

Quem apresentar esses sintomas após uma viagem ou contato com viajantes deve procurar a unidade de saúde mais próxima e evitar aglomerações até a avaliação clínica. Não há tratamento específico para o sarampo: os medicamentos servem apenas para reduzir o desconforto causado pelos sintomas, e a automedicação é desaconselhada.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser clínico, a partir dos sinais e sintomas, mas o ideal é que seja laboratorial. A confirmação padrão-ouro é feita por sorologia, com pesquisa de anticorpos IgM específicos e do aumento de títulos de IgG em amostras de sangue, e também por biologia molecular, com RT-PCR em amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe e urina. A Sesa orienta que a coleta seja feita ainda no primeiro contato do paciente com o serviço de saúde para acelerar a resposta de vigilância.

Quem fica também deve se proteger

A recomendação se estende a quem não vai pegar o avião. A circulação intensa de turistas durante o Mundial aumenta o risco de casos importados em todo o território brasileiro, e a proteção coletiva só se sustenta com coberturas elevadas em cada região. A Sesa orienta que a população procure a UBS mais próxima, com documento com foto, Cartão SUS e caderneta de vacinação em mãos, para conferir o histórico de doses e atualizar o que estiver pendente.

A Sesa lembra ainda que a higienização frequente das mãos e a manutenção de ambientes ventilados ajudam a reduzir a transmissão de vírus respiratórios, incluindo o do sarampo. Em caso de dúvidas sobre o esquema vacinal, o paranaense pode procurar qualquer uma das mais de 2 mil salas de vacina distribuídas pelos 399 municípios do Estado.

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