Política • 11:06h • 17 de maio de 2026
Pesquisa aponta que fake news sobre eleições miram urnas eletrônicas
Equipamento completaram 30 anos de existência
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Na quarta-feira (13), as urnas eletrônicas completaram 30 anos de uso no Brasil em meio ao avanço de narrativas falsas sobre o sistema eleitoral. Levantamento do Projeto Confia, iniciativa ligada ao Pacto pela Democracia, aponta que mais de 45% dos conteúdos desinformativos compartilhados nos últimos ciclos eleitorais tinham como alvo o funcionamento das urnas eletrônicas.
Na sequência aparecem conteúdos voltados contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades, com 27,1%, teorias sobre fraude na apuração dos votos, com 21,8%, e desinformação relacionada às regras eleitorais e à logística das eleições, com 15,4%.
Entre as fake news mais recorrentes estão mensagens que alegavam um suposto atraso no botão “confirma” ou afirmavam falsamente que a urna completaria automaticamente os números digitados pelos eleitores.
Segundo Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, os conteúdos desinformativos se aproveitam do desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.
“As narrativas usam falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, acabam sendo usados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirmou.
De acordo com Helena, o fato de a população ter contato com a urna apenas a cada dois anos facilita a disseminação desse tipo de conteúdo.
“As pessoas usam a urna somente no dia da eleição. Então, quando surge uma notícia falsa envolvendo algum botão ou funcionamento do equipamento, muita gente não consegue verificar rapidamente se aquilo é verdadeiro”, explicou.
O estudo teve como objetivo entender as origens da desconfiança em relação ao sistema eleitoral e ajudar na preparação de estratégias de combate à desinformação para as eleições de 2026.
“A intenção foi identificar em que exatamente as pessoas deixaram de acreditar quando falam sobre eleições. O levantamento mostra que a maior parte da desinformação está concentrada nas urnas eletrônicas. Queremos chegar em 2026 preparados para construir respostas rápidas e fortalecer a confiança no sistema eleitoral”, disse a pesquisadora.
A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024. Desse total, 716 mensagens passaram por análise qualitativa aprofundada. Segundo o levantamento, 326 delas continham ataques diretamente relacionados às urnas eletrônicas.
O Pacto pela Democracia reúne mais de 200 organizações da sociedade civil e atua no monitoramento de ameaças ao Estado Democrático de Direito e no combate à desinformação eleitoral.
Uma pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano aponta que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, levantamento do Datafolha divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrava índice de 82%.
Entre pessoas com mais de 60 anos, 53% afirmam confiar no sistema eletrônico de votação. Já entre jovens de 16 a 34 anos, o índice chega a 57%. Na faixa entre 35 e 50 anos, metade dos entrevistados declarou não confiar nas urnas.
Para Helena Salvador, a circulação de conteúdos sofisticados sobre supostas falhas reforça a necessidade de ampliar o entendimento da população sobre o funcionamento do sistema eleitoral.
“Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins. Existem explicações aparentemente técnicas circulando na internet tentando convencer as pessoas de que o sistema não funciona. Isso mostra como é importante tornar mais compreensível todo o caminho do voto, desde o momento em que o eleitor aperta a tecla até a totalização dos resultados”, concluiu.
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