Mundo • 09:47h • 26 de janeiro de 2026
Pesquisa com 50 mil gestores aponta desequilíbrios na liderança corporativa
Levantamento com mais de 50 mil perfis indica força em comando e comunicação, mas fragilidades em paciência e planejamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da The Lever Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O que define um bom chefe no Brasil passa menos por carisma isolado e mais pelo equilíbrio entre decisão, comunicação e gestão de processos. É o que revela um estudo conduzido pela Febracis, que analisou o perfil comportamental de cerca de 50,6 mil gestores brasileiros por meio do CIS Assessment. O levantamento mapeou competências predominantes entre diretores, gerentes e líderes e identificou um padrão forte em comando e objetividade, mas com lacunas relevantes em paciência, prudência e planejamento.
Entre as competências mais desenvolvidas aparecem o comando, presente em 59,7% dos perfis analisados, associado a líderes com presença marcante e postura decisiva. A objetividade surge em seguida, com 58,4%, refletindo a capacidade de tomar decisões práticas e resolver problemas de forma direta. A extroversão, com 58,2%, também se destaca, indicando facilidade de comunicação e interação com equipes.
Em contrapartida, habilidades ligadas à constância e à construção de processos de longo prazo apresentam os menores índices. Prudência aparece em 51% dos perfis, paciência em 51,6% e planejamento em 52,9%. Esses dados sugerem um descompasso entre a energia para liderar e a sustentação de rotinas, estratégias e processos estruturados ao longo do tempo.
O estudo aponta ainda que o perfil dominante é o mais frequente entre os gestores brasileiros, presente em 54,5% dos participantes. Em segundo lugar está o perfil influente, com 52,5%. Ambos são considerados proativos, orientados a resultados e com forte capacidade de mobilização, mas exigem maior equilíbrio emocional para evitar impactos negativos na condução de pessoas e projetos.
De acordo com Vanilson Leite, diretor do CIS Assessment, cada perfil traz potenciais e riscos. “Um gestor com perfil dominante tende a ser estratégico e competitivo, mas sem preparo emocional pode se tornar ríspido, centralizador e intolerante. Já o líder influente costuma ser carismático e comunicativo, porém corre o risco de se dispersar, ser pouco organizado e falhar na execução de processos mais detalhados”, explica.
Os resultados indicam que os principais pontos fracos desses perfis revelam uma dificuldade recorrente em manter consistência e visão de longo prazo. São líderes que conseguem mobilizar equipes e gerar resultados no curto prazo, mas que ainda precisam desenvolver resiliência, paciência e planejamento para sustentar o crescimento e a eficiência das organizações.
Além dos comportamentos, a pesquisa também analisou os valores que mais motivam os gestores. O valor teórico lidera, com 64,2%, indicando forte busca por aprendizado e conhecimento contínuo. Em seguida aparecem o valor econômico, com 59,7%, ligado à utilidade prática e ao retorno dos esforços, e o valor político, com 58,3%, associado ao desejo de influenciar e liderar pessoas.
Para Paulo Vieira, compreender esses padrões é essencial para uma liderança mais madura. “Um líder dominante sem preparo emocional pode se tornar inflexível, enquanto um influente desregulado tende a se perder em discursos sem entrega. Quando o gestor entende seus comportamentos, forças e desafios, ele passa a liderar com mais maturidade e consciência, e não apenas com autoridade”, conclui.
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