Saúde • 09:10h • 05 de março de 2026
Pesquisa comprova: melancia pode desencadear crise de enxaqueca em 1 a cada 3 pacientes
Estudo clínico inédito identifica que 29% dos pacientes com a doença apresentaram dor após ingestão da fruta rica em citrulina
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Piauí revelou o que muitos pacientes com enxaqueca já suspeitavam: comer melancia pode desencadear crises da doença. O estudo, publicado em revistas científicas internacionais, identificou que 29% dos participantes com enxaqueca relataram dor de cabeça após consumir a fruta — enquanto o grupo saudável não apresentou nenhuma reação. A culpa está em um aminoácido presente em alta concentração na melancia, a citrulina, que dispara uma cadeia de reações no organismo capaz de dilatar os vasos sanguíneos cerebrais.
O estudo foi conduzido pelo pesquisador Silva Néto, pós-doutor em Ciências Farmacêuticas e professor da Universidade Federal do Delta do Parnaíba. A pesquisa foi iniciada há mais de seis anos durante o doutorado e aprofundada no pós-doutorado, tornando-se a primeira investigação clínica controlada a comprovar cientificamente essa relação — que até então era baseada apenas em relatos de pacientes.
Como a melancia provoca a enxaqueca
O caminho entre o consumo da fruta e a dor de cabeça passa por uma reação química em cadeia. A melancia é rica em citrulina, um aminoácido que, ao ser absorvido pelo organismo, é convertido em arginina. A arginina, por sua vez, estimula a produção de óxido nítrico — uma molécula que provoca a dilatação dos vasos sanguíneos.
O problema é que a enxaqueca já é uma condição associada justamente à dilatação dos vasos cerebrais. Quando o consumo de melancia aumenta a produção de óxido nítrico em pessoas suscetíveis, esse efeito pode intensificar ou acionar diretamente uma crise.
Para confirmar essa hipótese, os voluntários foram divididos em dois grupos — com e sem histórico de enxaqueca. Após ingerirem a fruta, tiveram o sangue coletado duas horas depois para medir os níveis de nitrito, um marcador indireto da produção de óxido nítrico no organismo. Os resultados confirmaram a ligação entre a ingestão da fruta e a ativação dessa via metabólica nos pacientes com a doença.
Mas a melancia não é vilã para todo mundo
É importante deixar claro: o efeito não é universal. Os 71% restantes dos pacientes com enxaqueca que participaram do estudo não relataram crises após consumir a fruta. E quem não tem enxaqueca pode continuar comendo melancia normalmente, sem qualquer preocupação.
A nutricionista Layse Martins, que participou das análises, reforça que a melancia continua sendo um alimento nutricionalmente valioso: é rica em licopeno, fibras, carotenoides e tem altíssimo teor de água — ótima para a hidratação e para a saúde intestinal, especialmente no verão. A recomendação, segundo ela, deve ser individualizada para pacientes que já identificaram a fruta como um gatilho de crise.
O que fazer se você tem enxaqueca
Se você sofre de enxaqueca e percebe que a melancia antecede suas crises, a orientação dos especialistas é registrar esse padrão em um diário alimentar e levar a informação ao neurologista ou ao médico responsável pelo tratamento. A exclusão de qualquer alimento da dieta deve ser sempre orientada por um profissional de saúde.
Os resultados do estudo foram publicados nas revistas internacionais European Neurology e Postgraduate Medicine, conferindo ao trabalho reconhecimento científico internacional.
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