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Ciência e Tecnologia • 10:21h • 02 de novembro de 2025

Pesquisa da UEPG desenvolve gel à base de tilápia que trata feridas em animais

O grupo de estudos acompanha 44 animais tratados, dentre cães e gatos. A novidade foi reconhecida recentemente dentro do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime) que apoia a academia paranaense

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Agência de notícias do Paraná | Foto: Jéssica Natal/UEPG

“Acreditamos nas patentes que geramos desta tecnologia e esperamos encontrar universidades e empresas parceiras para a comercialização”, diz o Professor Flávio.
“Acreditamos nas patentes que geramos desta tecnologia e esperamos encontrar universidades e empresas parceiras para a comercialização”, diz o Professor Flávio.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desenvolveram um gel cicatrizante que trata feridas em animais. Ele é produzido a partir de um ativo à base da pele da tilápia, por alunos e professores do Departamento de Ciências Farmacêuticas (Defar) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF). Os resultados mostram diminuição na área machucada a partir de uma semana de tratamento. O grupo de estudos acompanha 44 animais tratados, dentre cães e gatos.

O coordenador da pesquisa na instituição, Flavio Luís Beltrame, explica que atualmente o gel é utilizado no tratamento de feridas, com resultados positivos. A novidade foi reconhecida recentemente dentro do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime) que apoia a academia paranaense. “Estamos aplicando o gel contendo o hidrolisado do colágeno da tilápia na parte machucada do animal, fazendo uma reestruturação da pele”, diz.

O gel é produzido a partir de um hidrolisado de peptídeos – que são pedaços de proteína do colágeno, obtidos pelo processo de hidrólise (quebra de uma molécula em partes menores pela adição de uma molécula de água). Este material vem do laboratório do professor Eduardo César Meurer, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Campus de Jandaia do Sul. Na UEPG, ele chega na forma líquida. O grupo da universidade, então, faz a secagem e transforma o material em um pó, para que depois seja usado como ativo farmacêutico em forma de gel.

A ideia surgiu há cerca de quatro anos, a partir da pesquisa de um grupo que queria testar o produto extraído na UFPR. “Como dentro do nosso grupo trabalhamos com ensaios biológicos e atividade terapêutica, iniciamos essa parceria”, recorda Flavio.

Na época, a pesquisa iniciou com o então mestrando do PPGCF, Rodrigo Tozetto, médico veterinário da cidade. A pesquisa propôs avaliar a atividade antimicrobiana cicatrizante do produto. Atualmente, Tozetto segue com a mesma pesquisa no Doutorado, sob orientação da professora Priscileila Ferrari. Segundo Tozetto, as análises ocorreram in vitro e in vivo, para a elaboração do gel, “Observamos que, com a aplicação do gel, a cicatrização de feridas e queimaduras foi mais rápida, comparado a outros fatores”, diz.

Agora, a equipe também estuda outras frentes, analisando a estabilidade físico-química da formulação do gel, além de ensaios clínicos do produto com finalidade veterinária. “Estamos analisando o tratamento de feridas que os veterinários chamam de primeira e segunda intenções, que são aquelas feridas feitas por uma incisão numa castração do animal, ou quando o animal sofre algum trauma, por exemplo”, afirma Tozetto.

Como o hidrolisado de peptídeos de colágeno da tilápia que chega para os pesquisadores da UEPG é transformado em pó, a mestranda Ana Carolina Ventura destaca que o processo de secagem contribui para que a substância seja transformada em várias formas farmacêuticas. “No caso do meu projeto, estou testando um hidrogel, e é importante agora sabermos o prazo de validade deste produto, e como ele se comporta em condições de temperatura e umidade, por exemplo”, afirma.

A testagem ocorre também em alguns animais . “Aplicamos esse hidrogel duas vezes ao dia nos animais que estamos acompanhando, e já observamos uma melhora, uma retração desse tecido ferido a partir de uma semana”, avalia. Algumas variáveis podem influenciar no tempo de tratamento, a depender do estado de saúde do animal. Os pesquisadores avaliam que o tratamento completo pode durar em torno de 35 dias.

Um desses pets é a Pixy, gata de aproximadamente dois anos, que foi resgatada da rua com feridas nas pernas e barriga. A doutoranda Anna Claudia Capote acompanha a gatinha desde o primeiro dia de tratamento. “Foi difícil vê-la machucada nos primeiros dias, mas foi muito interessante ver a evolução, o fechamento da ferida. Agora ela está muito alegre e brinca com a gente”, conta.


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