Ciência e Tecnologia • 14:18h • 27 de julho de 2026
Pesquisa da USP cria nanopartículas que podem revolucionar o tratamento da psoríase e do vitiligo
Tecnologia utiliza moléculas de RNA para atuar diretamente nos genes ligados à inflamação e pode tornar os tratamentos mais precisos e com menos efeitos no organismo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CFF | Foto: Divulgação
Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, está abrindo uma nova perspectiva para o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. O estudo utiliza nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente às células da pele, permitindo agir sobre genes relacionados ao processo inflamatório. Os resultados foram apresentados durante a Semana da Fapesp, realizada em Londres.
A tecnologia está sendo desenvolvida pelo laboratório NanoGeneSkin e busca tornar os tratamentos mais direcionados. Em vez de atuar em todo o organismo, como ocorre com diversos medicamentos atualmente disponíveis, a estratégia concentra a ação apenas nas células envolvidas na doença, o que pode aumentar a eficácia terapêutica e reduzir efeitos indesejados.
Embora a pesquisa ainda esteja em fase experimental, os primeiros resultados indicam potencial para aplicações futuras em diferentes áreas da medicina.
RNA atua diretamente nos genes ligados à inflamação
A estratégia utiliza pequenas moléculas conhecidas como RNA de interferência, ou siRNA. Essas moléculas conseguem bloquear a produção de proteínas envolvidas no desenvolvimento do processo inflamatório característico de doenças como psoríase e vitiligo.
Um dos maiores desafios dessa abordagem é fazer com que o RNA chegue intacto às células da pele. Essas moléculas são naturalmente frágeis, degradam-se com facilidade no organismo e ainda precisam atravessar a barreira de proteção da pele para exercer seu efeito.
Para superar esse obstáculo, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas compostas por lipídios, capazes de proteger o material genético durante o transporte e facilitar sua liberação exatamente nas células-alvo.
Estudos mostram resultados promissores
Os experimentos realizados até o momento apresentaram resultados positivos tanto em culturas de células quanto em modelos animais com lesões semelhantes às observadas em pacientes com psoríase e vitiligo.
Além de transportar as moléculas de RNA, as nanopartículas também conseguiram levar medicamentos anti-inflamatórios convencionais, ampliando as possibilidades de aplicação da tecnologia e permitindo a combinação de diferentes estratégias terapêuticas.
Segundo os pesquisadores, esse modelo poderá contribuir para tratamentos mais específicos, reduzindo a exposição do restante do organismo aos medicamentos.
Plataforma pode ter aplicações além das doenças de pele
Apesar dos resultados iniciais considerados promissores, a tecnologia ainda precisa passar por novas pesquisas e cumprir todas as etapas de avaliação regulatória antes de ser testada em pacientes.
Os cientistas também investigam outras possibilidades de uso para a plataforma. Entre elas estão tratamentos voltados à cicatrização de feridas crônicas e o desenvolvimento de vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), incluindo estudos experimentais relacionados ao câncer.
Caso os resultados sejam confirmados nas próximas fases da pesquisa, a tecnologia poderá ampliar o uso de terapias genéticas em diferentes áreas da medicina, oferecendo alternativas mais precisas para doenças que ainda representam desafios para os tratamentos convencionais.
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