Variedades • 17:42h • 16 de setembro de 2026
Pesquisa da USP cruza com hábitos no trânsito de Assis e mostra quanto correr realmente economiza
Estudo com 1.540 participantes revela que exceder a velocidade pode poupar menos de um minuto em um trajeto, enquanto levantamentos do Âncora1 ajudam a expor infrações recorrentes nas ruas da cidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Âncora1®
Uma pesquisa divulgada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) coloca em perspectiva um comportamento que também faz parte do cotidiano observado no trânsito de Assis, a tentativa de ganhar tempo ao volante. O estudo, apresentado em 14 de setembro, analisou 1.540 participantes de diferentes regiões do Brasil e concluiu que trafegar acima da velocidade regulamentada proporciona uma economia pequena no percurso, enquanto aumenta os riscos de ocorrências graves.
Os resultados chegam em um momento em que o Âncora1 vem acompanhando editais municipais de autuações para identificar quais infrações aparecem com maior frequência entre os condutores na cidade.
Desenvolvida pela Poli-USP em parceria com a Fundação Mapfre, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a pesquisa avaliou como os motoristas percebem os limites de velocidade e o que influencia suas decisões. Entre os fatores estão atrasos, urgências cotidianas, pressão provocada pelo comportamento de outros condutores, presença de pedestres, fiscalização, sinalização e o próprio desenho das ruas e avenidas.
O levantamento encontrou uma contradição entre aquilo que os motoristas reconhecem como correto e a forma como reagem diante das situações cotidianas. Mais de 90% dos entrevistados associaram o respeito às normas de trânsito à cidadania e à preservação da vida. Para cerca de um terço, porém, essa disposição pode mudar diante de atrasos, pressa e pressão exercida pelo fluxo dos demais veículos.
Correr mais pode poupar apenas alguns segundos
Um dos resultados mais significativos está na comparação entre velocidade e tempo efetivamente economizado. Dados de tráfego de Curitiba analisados pelos pesquisadores mostram que dirigir acima do limite reduziu o tempo médio em apenas 7,81 segundos por quilômetro, o equivalente a aproximadamente 46 a 55 segundos durante todo o percurso avaliado.
Em Fortaleza, outra experiência reforçou a diferença relativamente pequena. A redução do limite máximo de 60 km/h para 50 km/h acrescentou somente 6,08 segundos por quilômetro rodado. Semáforos, cruzamentos e o próprio fluxo dos veículos contribuem para reduzir ainda mais a vantagem obtida por quem acelera.
Em contrapartida, a diferença para a segurança pode ser expressiva. Conforme os dados apresentados na pesquisa, a redução da velocidade de 48 km/h para 32 km/h diminui de 50% para 10% a probabilidade de morte em um atropelamento.
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O que a pesquisa ajuda a enxergar no trânsito de Assis
Os resultados dialogam com um trabalho que o Âncora 1 vem realizando a partir dos editais de notificações de trânsito publicados pela Prefeitura de Assis. A cada nova edição, o portal analisa as autuações divulgadas para identificar comportamentos recorrentes e mostrar aos motoristas quais hábitos resultam em infrações e, consequentemente, em penalidades financeiras.
A proposta desses levantamentos é transformar uma relação extensa de notificações administrativas em informação útil ao condutor. Ao identificar quais irregularidades aparecem repetidamente, torna-se possível observar comportamentos que precisam ser corrigidos para aumentar o cumprimento das regras de trânsito e evitar novas multas.
A pesquisa da USP acrescenta uma dimensão importante a essa leitura ao mostrar que o comportamento do motorista não depende somente de uma decisão isolada. O ambiente também influencia a velocidade. Em vias locais e cruzamentos, placas combinadas com estruturas como lombadas e minirrotatórias conseguiram reduzir em até 10 km/h a velocidade média. Em avenidas expressas e pistas largas, entretanto, os condutores demonstraram maior tendência a ignorar a sinalização, influenciados pelo desenho da via e pelo ritmo dos demais veículos.
Semana Nacional de Trânsito 2026 | Imagens: Senatran/Divulgação
Pedestres, fiscalização e família também mudam o comportamento
A presença de pessoas nas calçadas foi identificada como outro elemento capaz de estimular espontaneamente a redução da velocidade. O risco de autuação também pesa, 90% dos participantes apontaram a fiscalização como fator que influencia o cumprimento da legislação.
A preocupação com quem está dentro do próprio veículo produz efeito semelhante. Oito em cada dez entrevistados disseram controlar a aceleração para proteger familiares que estão como passageiros.
O estudo foi divulgado às vésperas da Semana Nacional de Trânsito, que será realizada de 18 a 25 de setembro. Os pesquisadores defendem que conhecer esses comportamentos pode ajudar na definição de limites compatíveis com cada tipo de via, na implantação de intervenções físicas e no desenvolvimento de políticas públicas de segurança viária. A íntegra da pesquisa está disponível no site da Fundação Mapfre.
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