Ciência e Tecnologia • 14:15h • 08 de julho de 2026
Pesquisa identifica predominância de casos em meninos e alerta para sinais do câncer infantil
Levantamento realizado em São Paulo reforça padrão observado no Brasil e destaca a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1
Um levantamento do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Oncologia (NAPO), do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, mostrou que 58,2% dos casos de câncer infantojuvenil analisados ocorreram em meninos. O estudo também confirma que a leucemia linfoblástica aguda (LLA) permanece como o tipo de câncer mais frequente entre crianças e adolescentes, tanto no sexo masculino quanto no feminino.
Os resultados acompanham a tendência observada em estudos nacionais e internacionais e ajudam a compreender o perfil dos pacientes atendidos em um dos principais centros de referência em oncologia pediátrica do Estado de São Paulo.
Brasil deve registrar mais de 7,5 mil novos casos por ano
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028. Desse total, a previsão é de 3.960 diagnósticos em meninos e 3.600 em meninas.
Para o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, coordenador do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e presidente da TUCCA, conhecer o perfil epidemiológico da doença é essencial para aperfeiçoar o atendimento.
Segundo ele, compreender esses padrões permite estruturar melhor os serviços especializados, direcionar recursos e fortalecer estratégias de diagnóstico precoce, fator considerado decisivo para o sucesso do tratamento.
Leucemia continua liderando os diagnósticos
Entre os diversos tipos de câncer infantojuvenil, a leucemia continua sendo o grupo mais frequente. Dentro dele, a leucemia linfoblástica aguda concentra a maior parte dos casos observados na infância.
De acordo com o INCA, além das leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central estão entre as neoplasias mais comuns nessa faixa etária.
A LLA caracteriza-se pela produção descontrolada de células imaturas na medula óssea e costuma apresentar evolução rápida. Quando identificada precocemente e tratada em centros especializados, as taxas de cura podem superar 80%.
Entre os sinais que merecem investigação médica estão palidez persistente, febre recorrente, manchas roxas sem causa aparente, dores ósseas, cansaço excessivo e sangramentos frequentes.
Diferença entre meninos e meninas ainda é estudada
Embora a predominância de casos em meninos já tenha sido observada em diferentes pesquisas ao redor do mundo, os cientistas ainda investigam os motivos dessa diferença. As hipóteses envolvem fatores biológicos, imunológicos e genéticos, mas ainda não existe uma explicação definitiva.
Para o coordenador do NAPO, Neviçolino Pereira de Carvalho Filho, acompanhar dados sobre sexo, idade e tipos de tumores é fundamental para orientar políticas públicas, fortalecer a pesquisa e preparar os serviços de saúde para atender melhor crianças e adolescentes com câncer.
O especialista ressalta que ampliar a produção de dados em oncologia pediátrica também contribui para acelerar diagnósticos e aprimorar o planejamento da assistência. Atualmente, segundo o INCA, o câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil.
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