Saúde • 14:29h • 22 de abril de 2026
Pesquisa indica que ultrassom pode eliminar vírus da influenza A e da Covid-19 sem afetar células humanas
Uso de ondas de alta frequência abre caminho para novo tratamento contra outras infecções virais, como dengue, zika e chikungunya
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que ondas de ultrassom de alta frequência — semelhantes às utilizadas em exames médicos — têm potencial para eliminar vírus como o SARS-CoV-2 e o H1N1 sem causar danos às células humanas. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, mostra que o efeito ocorre por meio da chamada ressonância acústica, que altera a estrutura dos vírus até sua ruptura e consequente inativação.
Segundo o coordenador da pesquisa, Odemir Martinez Bruno, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), a energia das ondas sonoras provoca mudanças na forma das partículas virais, levando à destruição de sua estrutura. Com isso, o envelope que protege o vírus se rompe, impedindo que ele consiga invadir células humanas.
A técnica surge como uma alternativa promissora no combate a vírus envelopados, grupo que inclui também os causadores da dengue, chikungunya e zika, doenças que já estão sendo alvo de novos testes em laboratório. O avanço chama atenção principalmente pela dificuldade histórica no desenvolvimento de antivirais eficazes.
Além disso, os pesquisadores destacam o caráter sustentável da abordagem, já que não gera resíduos, não impacta o meio ambiente e não contribui para o surgimento de resistência viral.
O estudo reuniu especialistas de diferentes áreas, incluindo física, virologia e análises estruturais, com participação de instituições como a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (USP) e a Unesp. A pesquisa também contou com a colaboração do cientista Charles Rice, vencedor do Nobel de Medicina em 2020, que contribuiu com vírus fluorescentes usados nos experimentos.
Um dos aspectos mais surpreendentes da descoberta é que ela contraria teorias clássicas da física, já que o comprimento de onda do ultrassom é maior que o tamanho dos vírus. Ainda assim, os cientistas verificaram que partículas esféricas, como muitos vírus envelopados, conseguem absorver essa energia de forma eficiente, o que leva à sua destruição.
Outro ponto relevante é que a eficácia da técnica não depende de mutações genéticas dos vírus, mas sim de sua forma. Isso significa que diferentes variantes, como as que surgiram durante a pandemia de Covid-19, não tendem a comprometer os resultados.
Os pesquisadores também diferenciam esse método de outros já utilizados. Enquanto a cavitação — comum na esterilização de equipamentos — atua em baixas frequências e destrói indiscriminadamente células e microrganismos, a ressonância acústica opera em altas frequências, atingindo de forma seletiva os vírus sem prejudicar tecidos humanos.
Embora ainda esteja em fase experimental e distante da aplicação clínica, a descoberta abre caminho para novas estratégias no tratamento de infecções virais, com potencial de ampliar as opções terapêuticas no futuro.
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