• Presidente Prudente recebe pré-conferência estadual de arquitetos e urbanistas neste sábado
  • FEMA realiza mesa-redonda sobre mulheres no Direito na noite desta sexta-feira em Assis
  • Assis terá final de semana quente, úmido e com pancadas isoladas de chuva
Novidades e destaques Novidades e destaques

Responsabilidade Social • 15:42h • 07 de setembro de 2025

Pesquisa mede impacto de mudanças do clima e desmatamento na Amazônia

Trabalho é de pesquisadores da Universidade de São Paulo

Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Os pesquisadores preferem não falar em ponto de não retorno para a floresta, pois o termo não tem consenso na comunidade científica, mas não têm dúvidas em afirmar que não há margem segura para permitir a exploração na região. Grandes empreendimentos, como minas e usinas, podem desequilibrar ainda mais o entorno, com potencial para afetar áreas extensas.
Os pesquisadores preferem não falar em ponto de não retorno para a floresta, pois o termo não tem consenso na comunidade científica, mas não têm dúvidas em afirmar que não há margem segura para permitir a exploração na região. Grandes empreendimentos, como minas e usinas, podem desequilibrar ainda mais o entorno, com potencial para afetar áreas extensas.

O período de estiagem na Amazônia brasileira está mais severo e a temperatura da floresta aumentou 2 graus entre 1985 e 2020, segundo estudo liderado por cientistas da Universidade de São Paulo. A análise revisou 35 anos de dados de desmatamentos, temperatura e chuvas no bioma, o que permitiu medir o impacto do desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa em todo o mundo sobre a floresta. O desmatamento é responsável por 74,5% da redução de chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca.

A pesquisa separou o território do bioma em 29 blocos de análise. Esses blocos, com área delimitada de 300 quilômetros (km) por 300 km, foram pensados assim pois permitiam análises que consideravam o comportamento do clima em escala ampla, considerando grandes chuvas e sistemas climáticos com escala de quilômetros. Sua precisão, porém, era bem mais próxima: usando o mapeamento desenvolvido para monitoramento de supressão de vegetação, pela rede MapBiomas, a "visão" dos pesquisadores chegava a impressionantes 30 metros. Cruzando essas informações, foi possível acompanhar como, nos diferentes quadrantes da região, as mudanças em cobertura vegetal ao longo das décadas tiveram impacto na precipitação e na temperatura.

Além de entender o processo, acenderam mais uma luz de alerta: a manutenção dos ritmos atuais de devastação aqui e de emissão de gases no planeta aumentará os extremos climáticos na região, chegando mais próximo do que seria um ponto de estresse, com impactos cada vez mais profundos no equilíbrio da vida na região, já para 2035. Hoje, a média é de 19% de perda da cobertura, porém há áreas com pico de 80% de superfície desmatada.

"A Amazônia é um bioma bastante complexo, que recebe umidade do oceano e tem dinâmica bastante equilibrada a respeito do ciclo hidrológico. Ela já está impactada, precisamos começar a reverter este processo e não há margem para mais fatores de estresse do bioma, internos ou não", explicou o professor Marco Franco , do Instituto de Astronomia da USP, principal autor do artigo, que recebeu destaque na revista Nature.

Os pesquisadores preferem não falar em ponto de não retorno para a floresta, pois o termo não tem consenso na comunidade científica, mas não têm dúvidas em afirmar que não há margem segura para permitir a exploração na região. Grandes empreendimentos, como minas e usinas, podem desequilibrar ainda mais o entorno, com potencial para afetar áreas extensas.

"Isso já tem sido sentido na produção da safrinha, que é uma condição rara do nosso agronegócio, em relação ao mundo. Em algumas áreas do bioma ela tem tido quedas relevantes. A seca está aumentando, em média, 12 dias a cada 10 anos", disse Franco.

Ela já é sentida a partir de um limiar relativamente pequeno de supressão, com 10% de perda da vegetação nas áreas analisadas. Segundo os dados obtidos, taxas de supressão entre 10% e 40% da vegetação nativa levam a uma queda mais brusca das chuvas e acentuam o aumento local de temperaturas. A partir daí, a taxa de impacto diminui, porém é cada vez mais difícil reflorestar.

Conhecendo esse impacto, alertam os participantes, fica mais transparente a responsabilidade e a possibilidade de cooperação entre governos.

"Já sabíamos que as alterações climáticas ocorriam, a partir de outros estudos. Agora conseguimos mensurar isso, o que nos permite sentar e conversar com os responsáveis. Saber o nosso papel, do Brasil, em relação ao desmatamento, e conversar com o resto do mundo sobre o impacto que as emissões de gases globais de efeito estufa têm sobre a floresta", explicou o professor Luiz Machado, que acompanhou e coordenou o levantamento.

Segundo os resultados obtidos, as chuvas apresentaram redução de cerca de 21 milímetros (mm) na estação seca por ano, com o desmatamento contribuindo para uma diminuição de 15,8 mm. A temperatura máxima aumentou cerca de 2 °C, sendo 16,5% atribuídos ao efeito da perda florestal e o restante às mudanças climáticas globais. Esse peso varia. Áreas da Amazônia oriental, onde a cobertura vegetal está mais próxima da original, com supressão abaixo de 10%, sofrem bem menos com a seca. Lá a contribuição para o aumento de temperatura é quase exclusiva da emissão industrial, externa e ligada aos países do norte global, como Estados Unidos e a China. Em áreas do sudeste do bioma, como a região de Santarém, no Pará, o impacto do desmatamento no aumento da temperatura é mais equilibrado, além do impacto das secas ser bem mais relevante, explicou Franco.

No artigo, os pesquisadores alertam que se o desmatamento continuar sem controle, a extrapolação dos resultados sugere um declínio adicional na precipitação total durante a estação seca e maior elevação da temperatura. O próximo desafio do grupo está em mensurar o impacto possível, em diferentes cenários, para a floresta, até o ano de 2100. Uma das contribuições do grupo além da mensuração e da comprovação dessa relação entre desmatamento, precipitações e aumento das temperaturas, está na disponibilização de parâmetros para outros grupos de pesquisa, permitindo por exemplo, que biólogos usem esses dados para entender impactos em espécies e territórios mais restritos, dentro do bioma.

A Amazônia brasileira perdeu 14% da vegetação nativa entre 1985 e 2023, de acordo com dados do MapBiomas, atingindo uma área de 553 mil km2, o equivalente ao território da França. A pastagem foi a principal causa no período. Mesmo com a queda nos últimos dois anos em relação à área desmatada, o fogo e o avanço de áreas agrícolas continuam ameaçando a região. 

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Gastronomia & Turismo • 17:02h • 13 de março de 2026

Mossoró, o paraíso de águas termais no sertão potiguar

A cidade encanta turistas ao unir complexos de águas quentes, história e a autêntica gastronomia sertaneja

Descrição da imagem

Cidades • 16:44h • 13 de março de 2026

Energisa anuncia investimento de R$ 7 bilhões e prevê R$ 324 milhões para região de Assis

Plano prioriza modernização da rede elétrica, novas ligações e ampliação da qualidade do fornecimento de energia

Descrição da imagem

Economia • 16:19h • 13 de março de 2026

Assis recebe primeira unidade da cooperativa Cocamar e reforça presença no agronegócio

Vice-prefeito Alexandre Cachorrão participou da inauguração e destacou o potencial do município para atrair investimentos no setor

Descrição da imagem

Esporte • 15:51h • 13 de março de 2026

Campeonato Regional de Futsal tem rodada nesta sexta-feira em Cruzália

Rodada terá três partidas no Ginásio Joaquim Cardoso de Oliveira, a partir das 19h15

Descrição da imagem

Cidades • 15:15h • 13 de março de 2026

Pedrinhas Paulista abre inscrições para curso gratuito de fruticultura

Capacitação será realizada em parceria com Sebrae, Senar e Sindicato Rural de Maracaí

Descrição da imagem

Cidades • 14:43h • 13 de março de 2026

Santa Casa de Assis participa de reunião da Fehosp sobre financiamento e sustentabilidade

Encontro em Marília reuniu gestores de hospitais filantrópicos para discutir recursos do SUS, modernização das instituições e políticas para a saúde

Descrição da imagem

Cidades • 14:11h • 13 de março de 2026

Inscrições para curso gratuito de colocação de pisos e azulejos terminam nesta sexta em Cruzália

Capacitação presencial de 80 horas será realizada pelo Projeto Trampolim em parceria com Sebrae e Governo de São Paulo

Descrição da imagem

Saúde • 13:35h • 13 de março de 2026

AME Assis abre cadastro médico para atendimento na especialidade de Endocrinologia

Profissionais interessados devem manifestar interesse por e-mail junto à gestão ambulatorial da unidade

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar