Saúde • 20:27h • 30 de junho de 2026
Pesquisa mostra que brasileiros recorrem aos remédios antes da consulta médica; entenda os riscos
Especialistas alertam que hábito pode mascarar doenças, dificultar o diagnóstico e aumentar o risco de intoxicações e resistência a antibióticos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da GlobalPR Assessoria | Foto: Divulgação
Tomar um remédio por conta própria diante dos primeiros sintomas continua sendo um hábito comum entre os brasileiros. Uma pesquisa da Opinion Box - Uso de Medicamentos no Brasil 2026 mostra que 38% das pessoas costumam recorrer primeiro à automedicação e só procuram um médico caso não apresentem melhora. O levantamento também revela que 42% utilizam imediatamente medicamentos que já conhecem assim que sentem dor ou algum sintoma de doença.
Os dados reforçam um comportamento que preocupa especialistas, principalmente porque o uso inadequado de medicamentos pode atrasar o diagnóstico de doenças, provocar reações adversas e comprometer a eficácia de alguns tratamentos.
A rapidez na decisão preocupa especialistas
A pesquisa mostra que a automedicação costuma acontecer logo nos primeiros sinais de desconforto. Segundo o levantamento, 24% dos entrevistados afirmam tomar medicamentos imediatamente após o surgimento dos sintomas, enquanto 25% esperam apenas algumas horas antes de decidir.
Em contrapartida, apenas 18% aguardam um dia antes de recorrer a um medicamento, e 7% esperam dois dias ou mais.
Para a infectologista Michelle Zicker, do São Cristóvão Saúde, essa rapidez pode esconder problemas mais graves. Segundo a especialista, aliviar os sintomas sem identificar a causa da doença pode retardar o diagnóstico correto e dificultar o tratamento adequado.
Intoxicação e resistência a antibióticos estão entre os principais riscos
Entre os problemas associados à automedicação, especialistas destacam a intoxicação por medicamentos, que pode ocorrer em razão do uso excessivo, de doses incorretas ou da utilização de remédios inadequados para determinada condição.
Outro risco importante envolve as interações medicamentosas. A combinação de diferentes substâncias pode reduzir o efeito esperado dos tratamentos ou aumentar a ocorrência de reações adversas.
A infectologista também chama atenção para o uso indiscriminado de antibióticos, considerado um dos fatores que contribuem para a resistência bacteriana, problema reconhecido mundialmente como um dos maiores desafios da saúde pública.
Nem todo sintoma precisa de medicamento
O estudo mostra ainda que apenas 18% dos brasileiros afirmam utilizar exclusivamente medicamentos prescritos por médicos. Outros 32% dizem recorrer aos remédios apenas quando consideram o problema mais grave, enquanto 11% optam por tratamentos fitoterápicos, homeopáticos ou caseiros.
Segundo a especialista, um medicamento que funcionou em uma situação anterior nem sempre será adequado para um novo quadro clínico, mesmo quando os sintomas parecem semelhantes.
A orientação é que, diante de sintomas persistentes, intensos ou recorrentes, a avaliação profissional seja priorizada para identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais seguro, reduzindo riscos e aumentando as chances de recuperação.
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