Saúde • 08:21h • 29 de julho de 2026
Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência de HPV entre jovens
Benefícios se estenderam até a pessoas que não se imunizaram
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) reduziu quase pela metade a circulação dos principais tipos do vírus no Brasil, segundo o maior estudo sobre a eficácia do imunizante já realizado na América Latina. A pesquisa identificou que a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 14,98% para 7,95% entre os períodos analisados.
O levantamento faz parte do estudo Pop-Brasil, conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde. Na primeira etapa, realizada entre 2016 e 2017, foram avaliadas amostras de 6.388 participantes não vacinados. Já na segunda fase, entre 2020 e 2023, mais de 10 mil pessoas, vacinadas e não vacinadas, participaram da pesquisa, com coleta de amostras em unidades de saúde.
O estudo concentrou a análise em jovens de 16 a 25 anos, faixa etária que apresenta maior prevalência de infecção pelo HPV por coincidir com o início da vida sexual. Segundo a coordenadora da pesquisa, a epidemiologista Eliana Wendland, esse grupo também foi escolhido porque, em tese, todos já deveriam ter sido imunizados.
Apesar dos resultados positivos, a cobertura vacinal ainda está abaixo da meta. Entre meninas e mulheres participantes da pesquisa, 61,8% haviam recebido a vacina. Entre os homens, esse percentual foi ainda menor, de 31,1%. O Ministério da Saúde estabelece como objetivo alcançar cobertura de 90%.
Vacina reduz circulação do vírus e protege a população
Mesmo com índices inferiores ao ideal, a vacinação demonstrou alta eficácia. Entre meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV contemplados pela vacina caiu de 15,6%, registrada antes da vacinação em larga escala, para apenas 3,1% entre as participantes vacinadas na segunda etapa do estudo.
Os pesquisadores também observaram um efeito indireto da imunização. Mesmo entre mulheres que não receberam a vacina, houve redução na circulação dos principais tipos do vírus, fenômeno conhecido como efeito rebanho, provocado pela diminuição da transmissão em populações com maior cobertura vacinal.
Entre as participantes não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV protegidos pelo imunizante caiu para 10,5% na segunda fase da pesquisa.
Entre os homens vacinados, a prevalência desses subtipos diminuiu de 13,8% para 4,6%. Já entre os participantes masculinos não vacinados, a redução não foi considerada estatisticamente significativa, resultado atribuído à baixa adesão à vacinação nesse público.
Os pesquisadores destacam que muitos meninos ainda recebem menos incentivo para se vacinar porque o HPV costuma ser associado principalmente ao câncer do colo do útero, embora o vírus também esteja relacionado a outros tipos de câncer.
Outro resultado reforça a eficácia da vacina. Enquanto a circulação dos quatro principais tipos protegidos pelo imunizante caiu significativamente, a prevalência geral do HPV, considerando todos os subtipos existentes, aumentou de 46,7% para 56,6% entre os dois períodos analisados.
A pesquisa também encontrou evidências de que o esquema atual adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), composto por apenas uma dose, oferece proteção semelhante à observada em pessoas que receberam duas ou três doses, já que não foram identificadas diferenças relevantes na prevalência do vírus entre esses grupos.
A vacinação contra o HPV começou a ser oferecida pelo SUS em 2014 para meninas e foi ampliada aos meninos em 2017. Em 2024, o esquema vacinal passou de duas para uma dose.
Atualmente, a imunização é indicada para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos e também para grupos específicos de adultos em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários da profilaxia pré-exposição e pessoas com histórico de lesões precursoras do câncer do colo do útero.
O papilomavírus humano é o principal responsável pelo câncer do colo do útero, mas também pode provocar tumores no pênis, ânus e garganta. Embora existam diversos subtipos do vírus, a vacina disponível na rede pública protege contra os principais tipos associados ao desenvolvimento de câncer.
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