Responsabilidade Social • 13:34h • 18 de julho de 2026
Pesquisa quer ampliar compreensão sobre impactos do racismo no Brasil
Grupo de pesquisadores da Uerj cria núcleo para desenvolver estudos sobre racismo e antirracismo, com foco na produção de dados e no aprimoramento de políticas públicas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Embora o Brasil seja um dos países que mais produzem pesquisas sobre desigualdades raciais, ainda enfrenta dificuldades para compreender de forma mais precisa como o racismo influencia essas desigualdades. Com o objetivo de ampliar esse conhecimento, pesquisadores ligados ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) criaram o Dara – Dados e Análises do Racismo e do Antirracismo.
O núcleo foi lançado no fim de junho e reúne 18 integrantes entre pesquisadores, coordenadores e equipes de comunicação e tecnologia. Vinculado à Uerj, o grupo conta com financiamento de agências públicas de fomento à pesquisa e de instituições filantrópicas.
Segundo o coordenador-geral do Dara, o professor de sociologia e ciência política Luiz Augusto Campos, o país ainda possui limitações para medir os efeitos do racismo de forma mais aprofundada. Para ele, enquanto há muitos estudos sobre desigualdades raciais, ainda são escassas as pesquisas capazes de identificar como práticas discriminatórias produzem essas diferenças.
Campos explica que um dos objetivos do núcleo é integrar pesquisas já existentes e introduzir metodologias mais modernas, utilizadas internacionalmente, para aprimorar a produção de conhecimento sobre racismo e antirracismo no Brasil.
Produção de dados e políticas públicas
De acordo com o pesquisador, o Dara pretende produzir estudos com rigor científico e transformar os resultados em informações acessíveis para contribuir com o debate público e a formulação de políticas baseadas em evidências.
Entre os desafios apontados está a dificuldade de acesso e integração de bases de dados oficiais, o que limita a produção de análises de médio e longo prazo. O grupo também pretende reunir diferentes pesquisas de opinião sobre racismo, hoje dispersas, para permitir comparações mais consistentes ao longo do tempo.
Outra frente de atuação será ampliar o uso de pesquisas experimentais, ainda pouco desenvolvidas no Brasil, consideradas importantes para medir de forma mais precisa os impactos da discriminação racial.
Campos destaca ainda que, apesar dos avanços das políticas de ação afirmativa nas últimas décadas, persistem desafios para consolidar novas iniciativas de combate ao racismo. Segundo ele, parte da sociedade considera que essas políticas já resolveram o problema, o que dificulta a adoção de novas medidas. Para o pesquisador, a produção de dados e evidências pode contribuir para aperfeiçoar as ações antirracistas.
Diversidade na produção científica
A maioria da equipe do Dara é formada por pesquisadores negros, característica que, segundo Campos, reflete a ampliação do acesso de pessoas pretas e pardas ao ensino superior por meio das políticas de ação afirmativa.
Para ele, a diversidade de experiências amplia as questões investigadas pela pesquisa acadêmica e fortalece a produção de conhecimento, sem substituir o rigor metodológico. O pesquisador afirma que diferentes trajetórias ajudam a incorporar temas que historicamente receberam pouca atenção nos estudos sobre a sociedade brasileira.
O coordenador do núcleo avalia que uma ciência social mais diversa amplia a capacidade de compreender o funcionamento do racismo e de desenvolver análises que contribuam para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades raciais.
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