Saúde • 15:37h • 28 de fevereiro de 2026
Pesquisa revela diferença de 41% no risco de morte entre SUS e rede privada
Pesquisa no Estado de São Paulo mostra maior diagnóstico precoce e menor risco de morte na saúde suplementar
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MXP Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Um estudo populacional com 65.543 mulheres no Estado de São Paulo identificou diferenças significativas no diagnóstico e na sobrevida de pacientes com câncer de mama atendidas pelo SUS e pela rede privada. A pesquisa analisou dados de 2000 a 2020 e aponta que o sistema onde a paciente é tratada impacta de forma mensurável o prognóstico da doença.
Intitulado “Determinantes relacionados à assistência médica no prognóstico do câncer de mama em São Paulo, Brasil: Uma coorte populacional”, o estudo foi publicado na revista científica internacional Clinical Breast Cancer, da Elsevier, e teve coordenação de Gustavo Nader Marta, médico titular do Departamento de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês. A investigação contou com pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos.
Diagnóstico mais precoce na rede privada
A base de dados utilizada foi a da Fundação Oncocentro de São Paulo, vinculada à Secretaria de Saúde do Estado. O levantamento mostra que mulheres atendidas pela saúde suplementar foram diagnosticadas com maior frequência em estágios iniciais da doença.
Na rede privada, 41% das pacientes receberam diagnóstico no estágio I. No SUS, o percentual foi de 21%. Já os casos avançados, nos estágios III e IV, foram significativamente mais frequentes entre pacientes atendidas no sistema público.
Diferenças na sobrevida em 10 anos
A pesquisa também avaliou a sobrevida global em um período de 10 anos. No estágio I, a taxa de sobrevida foi de 81,6% na rede privada, contra 77,5% no SUS. No estágio II, 74% na saúde suplementar e 63,3% no sistema público. No estágio III, 55,6% contra 39,6%. Já no estágio IV, 7,6% na rede privada e 6,4% no SUS.
A análise multivariada indicou que o tratamento na rede privada esteve associado a uma redução de 41% no risco de morte, mesmo após o controle de variáveis clínicas relevantes.
Cobertura de mamografia ainda é baixa
Especialistas apontam que parte das diferenças pode estar relacionada ao acesso ao rastreamento. Embora a mamografia a partir dos 40 anos seja recomendada pelo Ministério da Saúde, a cobertura pelo SUS atinge atualmente cerca de 33% da população-alvo no país. O índice considerado ideal é de 70%.
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo. A detecção precoce é apontada como a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade e permitir tratamentos menos agressivos.
Os dados do estudo reforçam que diferenças estruturais no acesso ao diagnóstico, na organização do cuidado e na infraestrutura assistencial podem influenciar diretamente os desfechos oncológicos, ampliando o debate sobre equidade no sistema de saúde.
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