Saúde • 08:20h • 04 de março de 2026
Pesquisa revela que vírus do resfriado se esconde nas amígdalas mesmo sem sintomas
Estudo conduzido na USP mostra que o patógeno pode persistir por longos períodos nesses tecidos, ser transmitido de forma insuspeita e gerar novos surtos da doença
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Estudo da Universidade de São Paulo aponta que amígdalas e adenoides podem funcionar como reservatórios do rinovírus, principal causador do resfriado. A pesquisa analisou amostras de 293 crianças que passaram por cirurgia para retirada desses tecidos e mostrou que o vírus pode permanecer no organismo mesmo sem provocar sintomas.
Os cientistas identificaram que o rinovírus é capaz de infectar células de defesa chamadas linfócitos e permanecer nelas por longos períodos. Diferentemente do que ocorre na superfície do nariz e da garganta, onde o vírus se multiplica rapidamente e destrói as células, nas camadas mais profundas das amígdalas e adenoides ele pode persistir sem causar sinais aparentes da doença.
Isso ajuda a explicar por que surtos de resfriado são comuns logo após o início das aulas. Crianças podem estar com o vírus alojado na garganta, sem sintomas, e transmiti-lo a colegas, familiares e professores.
Os resultados, publicados no Journal of Medical Virology, mostram que 46% das crianças avaliadas tinham o vírus presente em pelo menos um dos locais analisados: amígdala, adenoide ou secreção nasal. Em muitos casos, havia sinais de que o rinovírus ainda estava ativo e capaz de infectar outras pessoas.
Pesquisas anteriores do mesmo grupo já haviam detectado outros vírus respiratórios nesses tecidos, como influenza A e SARS-CoV-2. A presença persistente do rinovírus, porém, chamou a atenção dos pesquisadores, já que ele é conhecido por causar infecções curtas.
Os cientistas trabalham com a hipótese de que tecidos linfoides, como amígdalas, adenoides e gânglios, possam funcionar como uma espécie de “reserva” de vírus. Em alguns casos, isso pode até ajudar a manter a memória imunológica ativa. Por outro lado, essa persistência pode trazer riscos para pessoas com asma, ao estimular processos inflamatórios que favorecem crises, e para pacientes com baixa imunidade.
O estudo também levanta dúvidas sobre possíveis erros de diagnóstico. A detecção do rinovírus em exames de garganta, por exemplo, nem sempre significa que ele seja o responsável pelos sintomas respiratórios naquele momento, já que o vírus pode estar presente no organismo desde uma infecção anterior.
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