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Responsabilidade Social • 10:31h • 31 de maio de 2026

Pesquisadores identificam presença de mercúrio e chumbo em caranguejos

Elementos foram encontrados na espécie uçá, no litoral do Paraná

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Pesquisadores do Rebimar realizam uma série de iniciativas ambientais no litoral paranaense, como o monitoramento da saúde do mangue e de seu característico morador, o caranguejo-uçá.
Pesquisadores do Rebimar realizam uma série de iniciativas ambientais no litoral paranaense, como o monitoramento da saúde do mangue e de seu característico morador, o caranguejo-uçá.

Há quase 50 anos, o caiçara Antônio de Souza trabalha na captura de caranguejos em áreas de manguezais no litoral do Paraná. Conhecido como Pano entre os colegas, ele aproveita o período permitido para a pesca do caranguejo-uçá, entre dezembro e meados de março, para garantir renda e alimento para a família.

Durante o período de defeso, quando a captura é proibida para preservar a reprodução da espécie, Antônio passa a viver da pesca de peixes. Para ele, a restrição é essencial para garantir a continuidade do recurso natural.

Segundo o pescador, a preservação do mangue é importante para assegurar que as próximas gerações também possam consumir o crustáceo. Antônio participa do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), desenvolvido pela Associação Mar Brasil e patrocinado pelo Programa Socioambiental da Petrobras desde 2009.

Pesquisas analisam saúde dos manguezais e presença de contaminantes

Pesquisadores do Rebimar realizam monitoramentos ambientais no litoral paranaense, acompanhando tanto a saúde dos manguezais quanto do caranguejo-uçá, espécie tradicional da região. Dados do governo estadual apontam que a atividade movimentou cerca de R$ 9,8 milhões no Paraná em 2024, com destaque para municípios como Guaraqueçaba, Guaratuba, Paranaguá, Antonina e Pontal do Paraná.

Uma das pesquisas, conduzida pela professora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), analisa a presença de elementos químicos nos caranguejos. O estudo identificou concentrações de zinco, manganês e magnésio, minerais considerados importantes para o organismo humano. No entanto, também foram encontrados metais como mercúrio e chumbo em algumas amostras.

A pesquisadora explica que a presença desses contaminantes variou conforme o local e a época do ano, e ressalta que ainda são necessários novos estudos para entender possíveis impactos à saúde humana relacionados ao consumo do caranguejo.

Segundo Cassiana, o consumo do uçá costuma ocorrer de forma sazonal, principalmente no verão, fora do período de defeso. Ela destaca ainda que alguns metais podem se acumular no organismo ao longo do tempo, o que reforça a necessidade de aprofundar as pesquisas.

A região monitorada reúne ambientes bastante diversos, como o Porto de Paranaguá, áreas indígenas e locais turísticos, como a Ilha do Mel.

Apesar da identificação de contaminantes, os pesquisadores observaram que os caranguejos analisados apresentavam comportamento considerado saudável. Uma das hipóteses estudadas é que os animais consigam eliminar parte dessas substâncias pela carapaça, trocada periodicamente durante o crescimento.

Outra possibilidade investigada está relacionada à alimentação do caranguejo-uçá, baseada em folhas de mangue ricas em tanino, composto que pode apresentar ação antioxidante.

O Rebimar monitora cerca de 49 mil hectares de manguezais na região da Grande Reserva Mata Atlântica, utilizando imagens de satélite, drones e georreferenciamento. A área corresponde, aproximadamente, ao tamanho da cidade de Porto Alegre.

A oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo acompanha a saúde da vegetação dos manguezais por meio da medição de árvores, análise do solo e avaliação da biomassa. Segundo ela, esses ecossistemas desempenham papel importante na captura e armazenamento de carbono, processo conhecido como carbono azul.

A pesquisadora destaca que os manguezais apresentam grande eficiência na retenção de dióxido de carbono devido às características do solo, à influência das marés e à baixa presença de oxigênio.

Além disso, os manguezais ajudam a reduzir impactos de eventos climáticos extremos, como enchentes e erosão costeira. Segundo Sarah, áreas com vegetação de mangue conseguem diminuir significativamente a força das ondas e atuar como filtros naturais da água, contribuindo para a retenção de poluentes e matéria orgânica antes que cheguem aos estuários e ao mar.

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