Mundo • 09:45h • 29 de setembro de 2026
Pirâmide etária muda e idosos já superam crianças e adolescentes em São Paulo
Índice de envelhecimento chegou a 101 em 2025 e população com 60 anos ou mais soma 8,4 milhões de pessoas; em 1950, eram apenas 11,6 idosos para cada 100 jovens
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação
O estado de São Paulo ultrapassou uma marca histórica em sua composição populacional. Em 2025, passou a ter 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos, segundo o Painel População da Fundação Seade. Pela primeira vez, portanto, o número de idosos superou o de pessoas nessa faixa mais jovem.
A mudança fica evidente quando comparada às décadas anteriores. Em 1950, São Paulo tinha apenas 11,6 idosos para cada 100 pessoas de até 14 anos. O índice passou para 34,1 em 2000, chegou a 53,9 em 2010 e avançou para 82,3 em 2020. Em 75 anos, o indicador aumentou 8,7 vezes.
“O que observamos é uma mudança importante na estrutura etária da população paulista. Em 1950, havia cerca de 12 idosos para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Hoje, essa relação chegou a praticamente um para um, mostrando que a população do estado está se tornando cada vez mais madura”, afirma Bernadette Waldvogel, gerente da área de Demografia da Fundação Seade.
São Paulo tem 8,4 milhões de idosos
A população paulista com 60 anos ou mais chegou a 8,4 milhões de pessoas, correspondendo a 18,4% dos habitantes do estado. As mulheres representam a maior parcela desse contingente, e a diferença em relação aos homens aumenta conforme avança a idade. Considerando toda a população estadual, 10,5% são mulheres idosas e 7,9% são homens idosos.
A própria pirâmide etária paulista mostra essa transformação. Em 2025, o estado tinha 23,56 milhões de mulheres e 21,95 milhões de homens, enquanto as faixas adultas ocupavam uma parcela expressiva da estrutura populacional e a base formada pelas idades mais jovens aparecia mais estreita.
Outro movimento que começa a influenciar esse cenário é a chegada da geração X à terceira idade. São 549 mil paulistas com exatamente 60 anos, nascidos em 1965, equivalentes a 6,6% de toda a população idosa. O grupo com 60 anos ou mais também já se aproxima numericamente daquele entre 45 e 60 anos, formado por 9,2 milhões de habitantes.
Envelhecimento avança pelos municípios
A transformação também aparece no mapa paulista. Em 2000, Águas de São Pedro era o único município do estado onde o número de idosos superava o de crianças e adolescentes, com índice de envelhecimento de 110,9.
Em 2025, o cenário é bastante diferente. Os menores índices permanecem concentrados principalmente no sul do estado, enquanto municípios do norte, sobretudo do noroeste paulista, apresentam indicadores superiores a 120 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.
Turmalina registra atualmente o maior índice de envelhecimento do estado, com 322 idosos para cada 100 crianças e adolescentes, seguida, entre os exemplos destacados pelo levantamento, por Águas de São Pedro, com índice de 270,1.
No outro extremo está Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, com índice de 53,8. Apesar do avanço do envelhecimento, o município ainda possui mais pessoas com menos de 15 anos do que idosos. Em 2000, um dos menores indicadores era o de Francisco Morato, com 11,5.
Segundo o levantamento, a transformação da estrutura etária paulista está associada principalmente à combinação entre baixa fecundidade e aumento da expectativa de vida, processo que vem alterando gradualmente a proporção entre as diferentes gerações no estado.
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