Economia • 14:38h • 30 de junho de 2026
Pix cresce, mas dinheiro vivo ainda domina milhões de compras e gera prejuízos bilionários ao varejo
Mesmo com o avanço dos pagamentos digitais, 38% das compras ainda são feitas em dinheiro no Brasil; especialistas alertam para os custos e riscos da gestão de numerário
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Coregrup | Foto: Arquivo/Âncora1
O avanço do Pix e das carteiras digitais mudou a forma como muitos brasileiros fazem pagamentos, mas o dinheiro em espécie continua longe de desaparecer. Segundo dados do Banco Mundial, 38% das compras no varejo brasileiro ainda são realizadas com dinheiro físico, percentual que ultrapassa 60% em regiões periféricas e cidades do interior. Para o comércio, essa realidade representa um desafio operacional que movimenta bilhões de reais e exige investimentos cada vez maiores em segurança e controle.
De acordo com o Banco Central, havia mais de R$ 349 bilhões em cédulas e moedas em circulação no país em 2025, mostrando que o numerário segue presente na rotina de supermercados, farmácias, atacadistas, lojas de conveniência e diversos outros estabelecimentos.
O problema não é receber dinheiro, mas administrá-lo
Especialistas afirmam que o maior desafio atualmente não é a existência do dinheiro físico, mas o custo para gerenciá-lo.
Entre conferências de caixa, transporte de valores, divergências, erros operacionais, furtos, roubos e necessidade de segurança, controlar o numerário pode consumir até 20% do valor movimentado, segundo estimativa apresentada pela Sesami, empresa especializada em soluções para gestão de numerário.
Além do impacto financeiro, processos manuais também aumentam o tempo de conferência, reduzem a produtividade das equipes e ampliam o risco de falhas no fechamento de caixa.
Perdas chegam a bilhões de reais
A gestão do dinheiro em espécie também aparece entre as principais causas de perdas financeiras do varejo brasileiro.
Segundo a 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a Protiviti, os problemas relacionados ao numerário, como dinheiro falso, furtos e roubos, responderam por 19,59% das perdas financeiras do setor, ficando atrás apenas das perdas envolvendo cartões de crédito (28,79%).
O estudo aponta ainda que o varejo brasileiro acumulou R$ 42,1 bilhões em perdas em 2025. Em empresas de grande porte, os prejuízos relacionados ao manuseio e transporte de dinheiro podem representar entre 0,3% e 0,7% do faturamento anual, percentual que pode chegar a R$ 7 milhões em uma companhia com receita de R$ 1 bilhão por ano.
Tecnologia ganha espaço nas operações
Diante desse cenário, cresce o investimento em soluções para automatizar a gestão do dinheiro em espécie. Equipamentos como cofres inteligentes, sistemas de rastreamento e ferramentas de conferência automática ajudam a reduzir erros, melhorar o controle financeiro e aumentar a segurança das operações.
Segundo a Sesami, a procura por cofres inteligentes aumentou cerca de 20% no último ano, refletindo a necessidade de modernização da gestão de numerário nas empresas.
Dinheiro continua fazendo parte da rotina do consumidor
Apesar da rápida expansão dos meios digitais de pagamento, especialistas avaliam que o dinheiro físico continuará desempenhando papel importante no varejo brasileiro, principalmente em municípios do interior e regiões onde seu uso permanece elevado.
Por isso, além de investir em soluções digitais, empresas também precisam aperfeiçoar a administração do numerário para reduzir perdas, aumentar a eficiência operacional e manter a segurança das equipes e dos recursos movimentados diariamente.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos