Mundo • 09:19h • 20 de maio de 2026
Plataformas de games podem ser usadas como incubadoras de cibercrimes
Alerta é de Sérgio Luiz, delegado de repressão a crimes cibernéticos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Plataformas de jogos online como Discord e Roblox, frequentemente associadas a riscos para crianças e adolescentes, também podem servir como porta de entrada para a prática de crimes virtuais. O alerta é do delegado Sérgio Luiz Oliveira dos Santos, responsável pelo combate a crimes cibernéticos em Pernambuco e pesquisador de cibersegurança do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.
Segundo ele, muitos jovens começam tentando trapacear em jogos online e acabam entrando em práticas ilegais mais complexas. O processo geralmente começa com tentativas de piratear jogos ou roubar itens virtuais e pode evoluir para fraudes financeiras e crimes digitais sofisticados.
Dentro dos games, é comum a comercialização de acessórios virtuais, poderes especiais e itens personalizados que podem alcançar valores altos. Usuários relatam que, em alguns jogos, itens raros acabam sendo alvo de golpes e invasões de contas.
De acordo com especialistas, ao aprender técnicas para burlar sistemas dos jogos, alguns jovens passam a explorar outras formas de obter lucro ilegalmente. Entre os crimes mais comuns estão fraudes com PIX, boletos falsos e golpes envolvendo criptomoedas.
O delegado afirma que muitos criminosos virtuais no Brasil são jovens adultos, geralmente entre 18 e 30 anos, que cresceram em contato constante com a internet. Apesar disso, ele destaca que a maioria possui apenas conhecimentos básicos de tecnologia e costuma utilizar ferramentas prontas disponíveis em fóruns online, como kits de phishing e programas usados para aplicar golpes digitais.
Mesmo sem domínio técnico avançado, esses criminosos frequentemente conseguem enganar vítimas para instalar aplicativos maliciosos ou fornecer acesso aos próprios dispositivos. Segundo o pesquisador, muitos acabam deixando rastros na internet, seja por falhas técnicas ou pela exposição da própria rotina nas redes sociais, exibindo carros, festas e mudanças no padrão de vida.
O mercado brasileiro de games está entre os maiores do mundo. Dados apontam que o Brasil possui milhões de usuários em plataformas de jogos e comunicação online, especialmente entre jovens de 16 a 30 anos, faixa etária que vê os games como uma das principais formas de entretenimento e socialização.
Especialistas afirmam que, diante desse cenário, o acompanhamento familiar se torna essencial. Embora leis recentes tenham criado regras mais rígidas para proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, pesquisadores alertam que o monitoramento dos pais continua sendo uma das principais formas de prevenção contra o aliciamento para práticas criminosas online.
Segundo o delegado, muitos desses jovens não começam como criminosos, mas acabam sendo influenciados por comunidades digitais onde a fronteira entre brincadeira, trapaça e crime vai se tornando cada vez mais difícil de distinguir.
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