Responsabilidade Social • 20:41h • 31 de março de 2026
População idosa com autismo cresce e pode superar 5 milhões até 2040, aponta estudo
Número de pessoas com 70 anos ou mais com TEA quase triplicou desde 1990, com avanço ligado a diagnóstico e envelhecimento global
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O número de idosos com transtorno do espectro autista (TEA) tem crescido de forma acelerada no mundo e pode ultrapassar 5 milhões até 2040, segundo estudo internacional publicado na revista Molecular Psychiatry. A pesquisa, conduzida pela Universidade Médica Harbin, na China, aponta que a população com 70 anos ou mais com autismo passou de cerca de 894 mil em 1990 para aproximadamente 2,48 milhões em 2021, um aumento de 177%.
O avanço está relacionado tanto ao envelhecimento da população quanto à ampliação dos critérios diagnósticos ao longo das últimas décadas. Hoje, há maior identificação de casos ainda na infância, o que contribui para que mais pessoas cheguem à idade adulta e idosa com diagnóstico confirmado.
O estudo também indica diferenças entre grupos. A prevalência é maior entre homens e tende a ser mais elevada em países com maior nível socioeconômico, o que pode refletir maior acesso a serviços de saúde e diagnóstico especializado.
Apesar do crescimento, especialistas apontam uma lacuna importante no atendimento a essa faixa etária. A maior parte das políticas públicas e programas de intervenção ainda está concentrada na infância, enquanto adultos e idosos com TEA recebem menor atenção.
Segundo a psiquiatra Daniele Admoni, especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e supervisora na Universidade Federal de São Paulo, o cenário exige adaptação. Ela destaca que o aumento dos diagnósticos ao longo do tempo não foi acompanhado por iniciativas voltadas ao envelhecimento dessa população, o que amplia a necessidade de estudos e políticas específicas.
Outro fator levantado pela pesquisa é o possível subdiagnóstico em gerações mais antigas. Muitos idosos podem não ter sido identificados anteriormente por falta de conhecimento sobre o transtorno ou por estratégias de adaptação comportamental, conhecidas como camuflagem, que dificultam o reconhecimento dos sinais.
A tendência de crescimento da população idosa com TEA reforça a necessidade de ampliar o debate sobre atendimento, inclusão e desenvolvimento de políticas públicas que considerem as demandas específicas dessa fase da vida.
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