Ciência e Tecnologia • 19:51h • 18 de junho de 2026
Por que 70% dos medicamentos, cosméticos e produtos de higiene nunca chegam às prateleiras?
Falhas de segurança, baixa eficácia e exigências regulatórias fazem a maioria dos produtos ser descartada antes de chegar ao consumidor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Engenharia de Comunicação | Foto: Divulgação/Crop Labs
Quando um medicamento, cosmético ou produto de higiene chega ao mercado, ele já passou por uma longa jornada de desenvolvimento, testes e avaliações. O que pouca gente sabe é que a maior parte dos projetos nunca alcança essa etapa. Segundo especialistas do setor, cerca de 70% dos produtos avaliados são reprovados antes de chegar às prateleiras por não atenderem critérios de eficácia ou segurança.
O dado ajuda a dimensionar a complexidade por trás de itens presentes no dia a dia. De um simples detergente a medicamentos de alta complexidade, todos precisam passar por uma série de validações técnicas antes de serem liberados para venda.
O caminho até o consumidor pode levar anos
No caso dos medicamentos, o processo de desenvolvimento pode durar cerca de uma década e envolver investimentos bilionários. Antes dos testes em seres humanos, grande parte das análises ocorre em laboratório, utilizando células cultivadas que simulam tecidos do corpo humano, como pele, olhos e outros órgãos.
O objetivo é verificar se o produto realmente entrega o resultado esperado e se apresenta níveis seguros de utilização.
Segundo Aruã Prudenciatti, cofundador e diretor de operações da Crop Labs, essa etapa funciona como um filtro rigoroso para evitar que produtos ineficazes ou potencialmente prejudiciais cheguem ao mercado.
Por que tantos produtos são reprovados? Os testes buscam responder duas perguntas fundamentais: o produto funciona e ele é seguro?
Quando uma dessas respostas é negativa, o desenvolvimento costuma ser interrompido.
Entre os principais motivos de reprovação estão:
- Falta de eficácia nos resultados prometidos;
- Presença de efeitos colaterais indesejados;
- Potencial de toxicidade acima dos limites aceitáveis;
- Irritação ou reações adversas;
- Falhas no desempenho esperado durante os testes.
Nos medicamentos, a taxa de reprovação costuma ser ainda mais elevada devido ao nível de exigência regulatória e aos riscos envolvidos.
Já em cosméticos, produtos de limpeza e higiene, muitas reprovações acontecem quando os resultados obtidos nos testes não confirmam as promessas feitas pelos fabricantes.
Nem todo risco significa reprovação
Especialistas explicam que a avaliação não busca identificar produtos "perfeitos", mas sim produtos seguros dentro de parâmetros técnicos estabelecidos pelos órgãos reguladores.
Isso significa que algumas substâncias podem apresentar potencial residual de irritação ou desconforto sem que isso impeça sua aprovação, desde que os níveis observados sejam considerados seguros para o uso correto do produto.
No Brasil, a Anvisa é uma das responsáveis por estabelecer os critérios que determinam se um item pode ou não ser comercializado.
O controle continua após a aprovação
A fiscalização não termina quando o produto recebe autorização para venda. Lotes fabricados continuam sendo analisados por amostragem para garantir que mantenham o mesmo padrão de qualidade aprovado durante o desenvolvimento.
Esse acompanhamento ajuda a assegurar que o consumidor receba um produto compatível com os requisitos de segurança e eficácia avaliados inicialmente.
O que parece simples pode esconder anos de pesquisa
A ideia de que um produto vendido por poucos reais possa ter exigido investimentos milionários pode parecer surpreendente, mas é uma realidade comum na indústria.
Segundo especialistas, justamente por trás de itens aparentemente simples existe uma estrutura complexa de pesquisa, testes laboratoriais e exigências regulatórias que ajudam a garantir a segurança dos consumidores.
O resultado é que muitos projetos ficam pelo caminho, mas os que chegam às prateleiras carregam uma extensa trajetória de validação científica antes de fazer parte da rotina das pessoas.
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