Saúde • 08:24h • 18 de fevereiro de 2026
Por que aumentaram os acidentes por picada de escorpião? Butantan explica
Artrópode se adapta facilmente a espaços alterados pela ação humana; espécies naturais de outros países da América do Sul já são encontradas em estados brasileiros
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O Brasil registrou forte aumento nos acidentes causados por picadas de escorpião na última década. Dados do Ministério da Saúde mostram que as notificações saltaram de cerca de 85 mil em 2015 para mais de 200 mil em 2023, o maior número da série histórica. O crescimento está associado à combinação de fatores como urbanização acelerada, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e características biológicas do próprio animal.
Especialistas do Instituto Butantan apontam que a expansão desordenada das cidades, aliada à falta de saneamento e ao acúmulo de lixo, cria condições ideais para a proliferação dos escorpiões, já que esses ambientes concentram baratas — sua principal fonte de alimento — e oferecem abrigo. Em áreas urbanas, o escorpião-amarelo passou a predominar por ser altamente adaptável e capaz de se reproduzir por partenogênese, processo em que a fêmea gera descendentes sem acasalamento.
O aumento das temperaturas também contribui para a maior atividade do animal, principalmente nos meses mais quentes, quando cresce a circulação em busca de alimento e a reprodução. Além disso, o desmatamento tem levado espécies antes restritas a áreas de floresta a aparecerem com mais frequência em cidades.
Parte da elevação dos registros também se deve à melhoria dos sistemas de notificação, hoje digitais e mais ágeis. Ainda assim, especialistas destacam que há crescimento real dos casos e que a tendência é de continuidade nas próximas décadas, sobretudo em regiões urbanas com pouca vegetação e baixa presença de predadores naturais.
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna e procurar atendimento médico imediatamente, principalmente quando a vítima for criança. O tratamento é feito com soro antiescorpiônico produzido pelo Instituto Butantan e distribuído pelo sistema público de saúde.
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