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Ciência e Tecnologia • 15:00h • 30 de novembro de 2025

Por que o 3I/Atlas está fazendo o impossível no Sistema Solar? Astrônomos admitem perplexidade

Objeto acelera atividade onde deveria estar “morrendo”, apresenta cauda contra o Sol um milhão de vezes mais densa que o vento solar e exibe composição química inédita

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Divulgação/NASA

Um visitante interestelar está quebrando regras do Universo e os números são assustadoramente claros
Um visitante interestelar está quebrando regras do Universo e os números são assustadoramente claros

O cometa interestelar 3I Atlas, atualmente a cerca de 300 milhões de quilômetros da Terra, tornou-se um dos objetos mais enigmáticos já observados no Sistema Solar. Em vez de perder força ao se afastar do Sol, como fazem os cometas comuns, ele continua ganhando energia, massa e atividade, contrariando previsões básicas da física cometária.

Os dados, que incluem imagens, medições de densidade, análises químicas e cálculos de especialistas como o astrofísico de Harvard Avi Loeb, vêm revelando um cenário tão incomum que cientistas admitem publicamente: nada nessa história faz sentido dentro dos modelos naturais conhecidos.

Um cometa que se comporta como se tivesse “ligado antes da hora”

O mistério começou ainda em maio e junho de 2025, quando satélites da NASA registraram o 3I Atlas ativo a 6,4 unidades astronômicas do Sol, quase 600 milhões de quilômetros — uma região tão fria que a água não poderia sublimar, o mecanismo natural que costuma impulsionar cometas.

Mesmo assim, ele já brilhava, já emitia gás e poeira. Isso levou pesquisadores a suspeitar que a atividade estava sendo alimentada por dióxido de carbono ou substâncias ainda mais exóticas, capazes de vaporizar a temperaturas baixíssimas.

Mas os mistérios estavam só começando.

Imagem: NASA

Caudas colimadas e um fenômeno impossível: a anti-cauda

Em 22 e 24 de novembro, telescópios captaram a imagem mais precisa do cometa. O que viram foi algo sem precedentes:

  • uma cauda principal com quase 5 milhões de quilômetros,
  • e uma anti-cauda, apontando na direção do Sol, com cerca de 1 milhão de quilômetros.

A anti-cauda, por si só, já seria estranha — mas no 3I Atlas, ela é tão densa que chega a ser um milhão de vezes mais densa que o vento solar, segundo cálculos de Avi Loeb.

Em condições normais, o vento solar simplesmente empurraria qualquer poeira cometária em sentido contrário, dispersando-a rapidamente. Mas o 3I Atlas mantém um feixe estreito, firme, estável e “laser-like”, algo jamais visto em um fenômeno natural de origem conhecida.

Essa geometria, repetida em todas as observações, mostra uma relação fixa de 5 para 1 entre a cauda e a anti-cauda — uma proporção que não varia.

Um motor invisível: cometa perde massa demais, mas não se desfaz

Outra contradição surge ao analisar a quantidade de material que o cometa expulsa. Segundo Loeb, o 3I Atlas estaria perdendo:

  • 200 toneladas por segundo,
  • acumulando bilhões de toneladas perdidas nos últimos dois meses.

Isso equivaleria a um décimo de toda a massa do cometa. Pela física cometária clássica, o núcleo já deveria ter se fragmentado ou colapsado — como aconteceu com o cometa ATLAS em 2020.

Mas as imagens mostram o oposto:

  • o núcleo permanece intacto,
  • sem sinais de quebra,
  • e sem nuvens de detritos.

O paradoxo fica ainda pior quando se calcula a área necessária para sublimar tanto material: seriam necessárias 620 milhas quadradas de superfície ativa, mas o núcleo só tem 30 a 40 milhas quadradas.

É matematicamente impossível — mas está acontecendo.

Imagem: NASA

A composição química é tão anômala quanto a física

Em meados de 2025, Hubble e James Webb detectaram algo ainda mais perturbador: o gás liberado apresentava níveis de níquel muito superiores aos de ferro, uma assinatura mais parecida com ligas industriais de níquel do que com qualquer corpo natural conhecido.

Além disso:

  • a proporção níquel/cianeto fugia totalmente dos padrões de cometas do Sistema Solar;
  • a polarização da luz refletida era mais intensa que a de qualquer cometa já registrado, lembrando objetos transnetunianos híbridos e escuros.

Com apenas dois visitantes interestelares anteriores conhecidos (Oumuamua e 2I Borisov), cientistas admitem que o catálogo é pequeno demais para conclusões definitivas — mas ninguém nega que o 3I Atlas está fora de qualquer curva.

Em março de 2026, a verdade pode emergir

No dia 16 de março de 2026, o cometa passará a apenas 53 milhões de quilômetros de Júpiter, exatamente na região da esfera de influência gravitacional do planeta.

Será um experimento natural único.

Se:

  • a trajetória mudar inesperadamente,
  • a atividade aumentar ou desaparecer,
  • a química atmosférica se alterar,
  • ou se surgir qualquer efeito não previsto pela mecânica celeste…

…a comunidade científica terá dados concretos para confirmar (ou refutar) a hipótese de que algo além dos processos naturais está atuando nesse objeto interestelar.

Até lá, resta observar — e questionar.

O que 3I Atlas está realmente fazendo aqui?

Nada no comportamento do cometa é trivial:

  • ele acorda cedo demais,
  • não desacelera,
  • produz caudas fisicamente impossíveis,
  • não se destrói mesmo perdendo massa em ritmo catastrófico,
  • e exibe uma composição que lembra mais engenharia do que geologia.

Cientistas divergem; alguns defendem cautela, outros afirmam que é “apenas um cometa estranho”. Mas os números formam um quadro inquietante: as regras tradicionais falham em explicar o que está diante dos telescópios.

Às vezes, os fenômenos mais enigmáticos são aqueles que forçam a ciência a reescrever suas certezas.

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