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Variedades • 17:00h • 27 de julho de 2026

Por que o coração dispara durante um filme de terror mesmo sem perigo real?

Mesmo sabendo que o perigo está apenas na tela, cérebro libera adrenalina e acelera os batimentos, mas reação costuma ser passageira em pessoas saudáveis

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da JN Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Adrenalina, sustos e coração acelerado: o que acontece no corpo durante um filme de terror
Adrenalina, sustos e coração acelerado: o que acontece no corpo durante um filme de terror

Assistir a um filme de terror pode acelerar o coração, mudar a respiração e deixar o corpo em estado de alerta, mesmo quando o espectador sabe que tudo faz parte da ficção. A explicação está em um mecanismo natural de defesa do organismo, que prepara o corpo para reagir diante de uma ameaça percebida. Segundo especialistas, essa resposta é temporária e, em pessoas saudáveis, não representa risco para o coração.

A reação ocorre antes mesmo do susto aparecer na tela. Uma trilha sonora tensa, um corredor escuro ou o silêncio prolongado já são suficientes para que o cérebro interprete a situação como potencialmente perigosa e acione a chamada resposta de luta ou fuga.

De acordo com o cardiologista Gustavo Lenci, o organismo libera adrenalina para aumentar a capacidade de reação, reproduzindo um mecanismo que acompanha a evolução humana há milhares de anos.

O cérebro sabe que é ficção, mas o corpo reage

Segundo o especialista, durante cenas de suspense ou terror ocorre uma descarga de adrenalina que acelera temporariamente os batimentos cardíacos, aumenta o estado de alerta e prepara músculos e respiração para uma possível reação.

Gustavo Lenci explica que essa resposta é um reflexo fisiológico normal e não costuma representar perigo para pessoas sem doenças cardíacas. Ele destaca que não se trata de um estresse intenso e prolongado, capaz de provocar problemas cardíacos em indivíduos saudáveis.

Além da aceleração do coração, é comum que a respiração fique mais rápida, os músculos se contraiam e a atenção se concentre completamente na cena. Embora atualmente o "perigo" possa ser apenas um personagem fictício ou um susto cinematográfico, o cérebro continua utilizando o mesmo mecanismo desenvolvido para enfrentar ameaças reais.

Existe risco para o coração?

Apesar da intensidade da sensação durante alguns momentos do filme, a resposta costuma ser tranquilizadora para quem aprecia o gênero.

Segundo Gustavo Lenci, o efeito mais comum é apenas uma aceleração passageira dos batimentos cardíacos, que desaparece naturalmente poucos instantes depois, quando o organismo entende que não há risco real.

O cardiologista lembra que existe a Síndrome de Takotsubo, conhecida popularmente como síndrome do coração partido, condição que provoca alterações temporárias no funcionamento do coração após impactos emocionais extremamente intensos. No entanto, ele esclarece que esse quadro costuma estar associado a acontecimentos marcantes, como a perda de um familiar, tragédias ou emoções muito fortes, e não há relatos de casos provocados simplesmente por assistir a filmes de suspense ou terror.

Por que sentir medo pode ser divertido?

O interesse por filmes de terror também tem explicação científica. O cérebro reconhece que o ambiente é seguro, mas permite que o corpo experimente pequenas doses de adrenalina sem enfrentar um perigo verdadeiro.

Essa combinação entre tensão e segurança faz com que muitas pessoas encontrem diversão justamente na sensação de medo controlado. É o organismo reproduzindo uma resposta de sobrevivência enquanto a razão sabe que tudo termina quando a tela escurece ou os créditos começam a subir.

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