Saúde • 11:29h • 23 de julho de 2026
Por que pessoas com o mesmo câncer podem ter respostas diferentes ao tratamento?
Avanços da oncologia de precisão mostram que as características genéticas de cada tumor ajudam a definir terapias mais personalizadas e aumentar a eficácia dos tratamentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1
Dois pacientes com o mesmo tipo e estágio de câncer podem receber o mesmo diagnóstico, mas apresentar respostas bastante diferentes ao tratamento. A explicação está nas características biológicas de cada tumor, que podem variar mesmo entre casos classificados na mesma categoria clínica.
Com os avanços da oncologia de precisão, médicos passaram a utilizar análises moleculares para identificar alterações genéticas capazes de influenciar a evolução da doença e indicar quais estratégias terapêuticas têm maior potencial para cada paciente.
Alterações genéticas ajudam a explicar diferenças entre os tumores
Embora exames tradicionais continuem sendo fundamentais para o diagnóstico, a medicina de precisão acrescentou uma nova camada de informações ao tratamento do câncer.
Por meio da análise do DNA das células tumorais, é possível identificar mutações e alterações em vias celulares que ajudam a compreender por que alguns pacientes respondem melhor à quimioterapia, à imunoterapia ou às terapias-alvo, enquanto outros apresentam resultados diferentes.
Um estudo publicado em 2024 na revista Nature Communications, que analisou dados de mais de 78 mil pacientes com 20 tipos de câncer, encontrou associações entre alterações genéticas específicas e diferentes respostas aos tratamentos, reforçando a importância da caracterização molecular dos tumores.
Medicina de precisão amplia a personalização do tratamento
Segundo Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da Centogene, a evolução do tratamento oncológico está justamente na capacidade de compreender as particularidades de cada caso.
"Durante muito tempo, o câncer foi tratado principalmente a partir do órgão onde ele se originou. Hoje sabemos que dois tumores do mesmo tipo podem ter comportamentos biológicos completamente diferentes. A análise molecular ajuda a entender essas particularidades e a buscar estratégias mais adequadas para cada paciente", afirma.
Além das alterações genéticas, especialistas também consideram fatores como o microambiente tumoral e a interação entre o sistema imunológico e as células cancerígenas na definição das terapias.
Conhecer a biologia do tumor pode melhorar as decisões clínicas
Uma revisão publicada em 2024 na revista Trends in Cancer destaca que a identificação de biomarcadores tornou-se uma das principais ferramentas da oncologia de precisão para indicar quais pacientes apresentam maior probabilidade de responder a determinados tratamentos.
De acordo com Parmeggiani, a proposta da medicina de precisão não é substituir os protocolos já estabelecidos, mas oferecer mais informações para que as decisões sejam tomadas de forma individualizada.
"A medicina de precisão não significa substituir protocolos estabelecidos, mas aprimorar a tomada de decisão. Quanto mais conhecemos a biologia da doença, maior é a capacidade de oferecer estratégias alinhadas às características de cada paciente", conclui.
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