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Responsabilidade Social • 16:46h • 01 de junho de 2026

Por que é tão importante registrar e mapear a biodiversidade brasileira? A ciência explica

Conhecer os hábitos das espécies da fauna brasileira pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de conservação. Pesquisadores utilizam fotos, sons, pegadas e fezes para enriquecer os estudos

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Arquivo Âncora1

Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar.
Os registros de espécies são uma parte fundamental da pesquisa e podem ser feitos pelo próprio pesquisador. Fotografias, gravação de sons, registros de pegadas, identificação de fezes e coleta de material, tanto de animais quanto de plantas, são artifícios que podem ajudar.

A biodiversidade brasileira está entre as mais ricas do planeta. O país lidera o número de espécies de anfíbios e peixes de água doce e figura entre os cinco primeiros colocados em diversidade de aves, mamíferos e répteis. Diante dessa enorme variedade de fauna e flora, o mapeamento das espécies é uma ferramenta essencial para o monitoramento científico e para a conservação ambiental.

Segundo especialistas, acompanhar a presença e a movimentação dos animais permite identificar padrões de migração, reprodução e ocupação dos habitats naturais. Essas informações são fundamentais para pesquisas sobre polinização, dispersão de sementes e funcionamento dos ecossistemas, além de contribuírem para a proteção da saúde humana. Isso porque a destruição de habitats e a redução da biodiversidade podem aumentar o contato entre pessoas e animais silvestres, favorecendo a circulação de vírus e outros agentes causadores de doenças.

O registro das espécies pode ser realizado por meio de fotografias, gravações de sons, identificação de pegadas, análise de fezes e coleta de materiais biológicos de animais e plantas. Os métodos variam de acordo com cada grupo estudado. Equipamentos utilizados para monitorar peixes, por exemplo, são diferentes daqueles empregados na pesquisa de anfíbios, aves ou mamíferos.

Algumas espécies representam um desafio ainda maior para os pesquisadores. Animais migratórios, por exemplo, podem permanecer pouco tempo em uma região, dificultando a identificação de suas rotas e áreas de permanência. Conhecer esses deslocamentos é importante para desenvolver estratégias de conservação que protejam não apenas um local específico, mas todo o trajeto percorrido pelos animais.

A participação da população também tem se tornado cada vez mais importante nesse processo. Por meio da chamada ciência cidadã, moradores, turistas e observadores da natureza podem colaborar registrando fotografias e informações sobre espécies encontradas em diferentes regiões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase metade dos registros de ocorrências disponíveis atualmente tem origem na contribuição da sociedade. Mesmo um simples registro fotográfico pode ajudar pesquisadores a confirmar a presença de uma espécie em determinada área ou identificar sua passagem em épocas específicas do ano.

Grande parte dessas informações é reunida pelo Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), plataforma que integra dados nacionais e internacionais e permite que pesquisadores de diversos países utilizem os registros em estudos de alcance regional e global.

De acordo com levantamento do IBGE, em 2025 os grupos com maior número de registros catalogados no Brasil foram as aves, com mais de 19 milhões de ocorrências, seguidas pelas plantas, com mais de 11 milhões, e pelos artrópodes, com cerca de 3,7 milhões. Já os maiores crescimentos em relação a 2022 foram observados entre os fungos, com aumento de 176,6%, seguidos pelos mamíferos, com 155%, e pelos peixes, com 139,9%.

Além dos registros feitos em campo, tecnologias como satélites também auxiliam no monitoramento ambiental. Equipamentos como o satélite Amazônia-1B fornecem imagens que ajudam órgãos ambientais a acompanhar mudanças na cobertura vegetal, orientar ações de fiscalização e responder a eventos extremos. Quando esses dados são combinados com os levantamentos de espécies realizados por pesquisadores, torna-se possível identificar áreas prioritárias para conservação e compreender quais espécies estão sob maior risco de ameaça.

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