Saúde • 10:23h • 12 de maio de 2026
Posso tomar a vacina da dengue do Instituto Butantan mesmo se já tive dengue?
Quem já teve a doença pode contrair outros sorotipos do vírus da dengue e por isso deve tomar a Butantan-DV para ficar completamente protegido
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: Comunicação Butantan
A vacina tetravalente contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, chamada Butantan-DV, também é indicada para pessoas que já tiveram a doença.
Isso acontece porque existem quatro sorotipos do vírus da dengue — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 — e a infecção por um deles gera imunidade apenas contra aquele tipo específico. Assim, uma mesma pessoa pode contrair dengue até quatro vezes ao longo da vida.
Por esse motivo, mesmo quem já teve dengue deve se vacinar para reduzir o risco de novas infecções pelos outros sorotipos do vírus.
Segundo a gerente de farmacovigilância do Butantan e integrante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mayra Moura, pessoas que já tiveram dengue podem voltar a adoecer, e a vacina oferece proteção contra diferentes variantes do vírus. Ela ressalta, porém, que o imunizante deve ser aplicado apenas seis meses após a recuperação da doença.
A Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para pessoas de 12 a 59 anos, conforme indicação prevista na bula.
A vacina foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e começou a ser aplicada em janeiro de 2026 em pessoas de 15 a 59 anos em um projeto piloto realizado em cidades dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Ceará.
Em fevereiro, o Ministério da Saúde iniciou a vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde em todo o país. No estado de São Paulo, o imunizante passou a ser oferecido para todos os profissionais de saúde das redes pública e privada, além da população de até 59 anos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
A Butantan-DV é contraindicada para pessoas com histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina, indivíduos com imunossupressão ou alterações da imunidade provocadas por doenças ou medicamentos, além de gestantes e mulheres em período de amamentação.
O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a dengue com os imunizantes disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), independentemente de infecção anterior.
Os resultados do ensaio clínico de fase 3 da Butantan-DV apontaram eficácia de 80,5% contra casos graves de dengue e quadros com sinais de alerta ao longo de cinco anos.
O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, acompanhou quase 17 mil pessoas no Brasil e mostrou que a proteção da vacina se mantém consistente em longo prazo.
Em relação à prevenção da dengue sintomática causada por qualquer sorotipo, a eficácia geral foi de 65% durante os cinco anos de acompanhamento.
O estudo também mostrou proteção contra hospitalizações. Nenhuma internação por dengue foi registrada entre os participantes vacinados, enquanto o grupo placebo contabilizou oito casos.
A vacina utiliza vírus vivos atenuados, ou seja, enfraquecidos em laboratório para não provocar a doença, mas capazes de estimular a resposta imunológica do organismo.
As cepas utilizadas foram desenvolvidas a partir de uma tecnologia originalmente criada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
A dengue é uma arbovirose transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos, vermelhidão na pele e cansaço. Nessa fase, conhecida como dengue clássica ou dengue sem sinais de alerta, a doença geralmente pode ser controlada com hidratação e medicação adequada.
Em alguns casos, porém, podem surgir sinais mais graves, como dores abdominais intensas, vômitos persistentes, desidratação, perda de apetite e sangramentos nas mucosas.
Essa fase é chamada de dengue com sinais de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e exige acompanhamento médico devido ao risco de agravamento do quadro clínico.
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