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Saúde • 18:39h • 05 de janeiro de 2026

Pouco conhecido, nervo pudendo pode explicar dor pélvica e impacto no prazer

Especialistas alertam que o nervo pudendo é essencial para a sensibilidade íntima e pode ser a causa de dores persistentes ainda pouco diagnosticadas

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Divulgação

O nervo pouco conhecido que influencia o prazer feminino
O nervo pouco conhecido que influencia o prazer feminino

Nem todas as mulheres sabem, mas existe um nervo específico responsável por levar ao cérebro grande parte das sensações do clitóris e da região íntima. Trata-se do nervo pudendo, estrutura fundamental para o prazer feminino e para o controle de músculos da pelve. Quando ele funciona bem, contribui para a sensibilidade e para o orgasmo. Quando sofre compressão ou irritação, pode se tornar fonte de dor crônica e impacto direto na qualidade de vida.

O nervo pudendo está localizado na região do quadril e percorre o períneo, área entre o clitóris e o ânus. Cada mulher possui um padrão próprio de ramificações desse nervo, o que ajuda a explicar por que os pontos de prazer variam de pessoa para pessoa. Essa individualidade também influencia a forma como sintomas aparecem quando há algum comprometimento.

Segundo o urologista Sérgio Augusto Skrobot, referência no estudo da dor pélvica, a compressão do nervo pode desencadear a chamada neuralgia do pudendo, condição ainda pouco conhecida e frequentemente subdiagnosticada. “É uma dor que nem sempre aparece em exames de imagem e, por isso, muitas pacientes passam anos em busca de uma explicação”, afirma.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas mais comuns incluem dor em queimação ou em pontadas na região pélvica, piora do desconforto ao permanecer sentada por longos períodos, sensação de dormência na área íntima, dor durante a relação sexual e, em alguns casos, dificuldade para urinar. Como a ressonância magnética costuma não mostrar alterações evidentes, não é raro que a queixa seja atribuída de forma equivocada a fatores emocionais.

O diagnóstico exige uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar. É necessário descartar problemas no quadril, alterações na pisada, disfunções musculares e outras condições que podem irradiar dor para a pelve. A escuta atenta da história da paciente é parte central do processo.

Tratamento ocorre por etapas

Inicialmente, são indicadas medicações orais para controle da dor. Se não houver resposta adequada, o bloqueio anestésico do nervo pudendo pode ser utilizado, oferecendo alívio temporário. A fisioterapia pélvica especializada também tem papel relevante, principalmente no controle de tensões musculares associadas.

Nos casos mais resistentes, existe a possibilidade de tratamento cirúrgico, conhecido como neurólise do pudendo. A técnica, realizada de forma minimamente invasiva, inclusive com auxílio de cirurgia robótica, tem como objetivo descomprimir o nervo e restaurar sua função. Embora ainda seja pouco difundida no Brasil, apresenta resultados positivos em centros especializados no exterior.

Para os especialistas, é fundamental reforçar que dor íntima persistente não deve ser normalizada. Uma pelve saudável está relacionada não apenas à ausência de dor, mas também à preservação da sensibilidade, do prazer e do bem-estar. Buscar avaliação especializada e compreender o próprio corpo são passos essenciais para evitar anos de sofrimento silencioso.

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