Saúde • 15:55h • 22 de março de 2026
Prescrição digital avança no Brasil, mas ainda representa apenas 15% das receitas médicas
Crescimento anual acima de 30% indica mudança estrutural na saúde, enquanto desafios culturais e de acesso ainda limitam expansão
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sing Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A prescrição digital tem ganhado espaço no sistema de saúde brasileiro, mas ainda está longe de ser predominante. Estimativas indicam que cerca de 15% das receitas médicas no país são emitidas de forma digital, apesar de um crescimento anual entre 30% e 35%, sinalizando uma transformação em curso na forma como médicos, pacientes e farmácias se relacionam.
O Brasil já conta, desde 2020, com uma base regulatória estruturada para esse modelo, incluindo certificação digital e normas de segurança. No entanto, a adoção ainda ocorre de forma híbrida, já que a receita em papel continua válida e amplamente utilizada, especialmente em regiões com menor acesso à tecnologia.
Em comparação internacional, países como Estônia e Finlândia já operam sistemas praticamente totalmente digitais, com integração nacional consolidada. No cenário brasileiro, o avanço depende menos de tecnologia e mais de fatores culturais, estruturais e de acesso.
Dados mostram que, embora cerca de 85% da população brasileira esteja conectada à internet, apenas 20% possuem acesso considerado de alta qualidade. Essa desigualdade impacta diretamente a adoção de soluções digitais na saúde, incluindo a prescrição eletrônica.
O potencial econômico da digitalização é relevante. O varejo farmacêutico no Brasil movimentou R$ 240,97 bilhões nos últimos 12 meses, com crescimento de 10,88% no período, segundo a Abrafarma. Nesse contexto, a digitalização das receitas pode contribuir para redução de fraudes, maior controle de medicamentos e melhoria na eficiência logística.
Outro impacto importante está na geração de dados estruturados. A prescrição digital permite acompanhar, em tempo real, a jornada do paciente e o uso de medicamentos, ampliando a capacidade de análise e planejamento por parte de governos, instituições de saúde e indústria farmacêutica.
Esse tipo de informação pode influenciar desde a gestão de estoques até o desenvolvimento de tratamentos, além de fortalecer políticas públicas de saúde. Em sistemas mais avançados, a integração de dados já permitiu acelerar pesquisas e decisões clínicas em larga escala.
A tecnologia também pode contribuir para ampliar o acesso à saúde, especialmente em regiões com menor presença de profissionais. A digitalização permite que médicos atendam mais pacientes e que o acesso a tratamentos seja facilitado, reduzindo barreiras geográficas.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que o próximo passo está na integração entre sistemas. A interoperabilidade entre plataformas, a conexão com prontuários eletrônicos, a padronização de dados clínicos e o fortalecimento da proteção de informações serão decisivos para consolidar o modelo.
A evolução da prescrição digital no Brasil depende, portanto, não apenas da tecnologia disponível, mas da capacidade de integrar sistemas, ampliar o acesso e promover mudanças culturais no uso dessas ferramentas dentro do sistema de saúde.
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