Responsabilidade Social • 08:30h • 04 de janeiro de 2026
Pretos e pardos chefiam 3 de cada 4 lares em que se registrou fome
Condição atinge 24,4% dos domicílios onde o responsável é branco
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A fome permanece mais presente em domicílios brasileiros chefiados por pessoas pretas ou pardas do que em lares comandados por pessoas brancas, segundo a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre segurança alimentar, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, 1,4 milhão de lares chefiados por pardos e 424 mil chefiados por pretos representaram 73,8% dos 2,5 milhões de domicílios em condição de insegurança alimentar grave no país. Isso significa que, a cada quatro residências que enfrentaram a fome, praticamente três eram lideradas por pessoas pretas ou pardas.
Para avaliar a condição alimentar dos lares, o IBGE visitou famílias em todas as regiões do país e fez perguntas sobre os hábitos alimentares dos 90 dias anteriores à entrevista. A classificação de insegurança alimentar grave é usada quando há redução ou falta de alimentos entre os moradores, incluindo crianças, tornando a fome uma experiência cotidiana.
Os dados reforçam desigualdades: embora pretos e pardos sejam responsáveis por 45,1% dos 78,3 milhões de domicílios brasileiros, eles respondem por quase três quartos dos lares que vivenciaram fome. Já os brancos, que chefiam 41,5% das famílias, representam 24,4% dos domicílios afetados pela insegurança alimentar grave.
Mulheres são maioria entre chefes de lares com fome
A pesquisa também aponta desigualdade de gênero. As mulheres são responsáveis por 51,8% dos lares brasileiros, mas lideram 57,6% dos domicílios em condição de insegurança alimentar grave. Quando consideradas todas as formas de insegurança alimentar (leve, moderada e grave), o índice sobe para 59,9% — seis em cada dez lares chefiados por mulheres.
A insegurança alimentar leve indica preocupação ou incerteza sobre o acesso a alimentos. A moderada reflete redução ou falta de comida entre os adultos.
Segundo a pesquisadora do IBGE Maria Lucia Vieira, os números mostram a vulnerabilidade de pretos, pardos e mulheres no país. “A gente está falando de domicílios que costumam ter rendimentos mais baixos”, afirma.
Crianças são mais vulneráveis
Entre os domicílios com insegurança alimentar grave ou moderada, 71,9% possuem renda mensal por pessoa de até um salário mínimo. E, ao analisar por faixa etária, o IBGE identificou que as crianças e jovens são os mais afetados pela fome.
- Até 4 anos: 3,3% viviam em lares que enfrentaram fome
- De 5 a 17 anos: 3,8%
- De 18 a 49 anos: 2,8%
- De 50 a 64 anos: 3,3%
- 65 anos ou mais: 2,3%
De acordo com a pesquisadora, a maior vulnerabilidade das crianças pode estar relacionada ao fato de que Norte e Nordeste — regiões com menor segurança alimentar — também registram taxas de fecundidade mais altas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos