Economia • 09:46h • 04 de abril de 2026
Primeiro Imposto de Renda: o que você precisa saber antes de declarar e evitar erros comuns
Prazo já começou e uso da declaração pré-preenchida cresce, mas estreantes ainda enfrentam dúvidas sobre documentos, regras e escolha do modelo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O prazo para envio do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 já está em andamento e segue até 29 de maio. Para quem vai declarar pela primeira vez, o desafio vai além do sistema: envolve entender regras, reunir documentos e evitar erros que podem levar à malha fina.
Neste ano, a Receita Federal reforçou o uso da declaração pré-preenchida, disponível para contribuintes com conta gov.br nível prata ou ouro. O recurso também garante prioridade na restituição quando combinado com o recebimento via Pix. Ainda assim, especialistas alertam que a ferramenta não elimina a necessidade de revisão.
Entre os critérios de obrigatoriedade em 2026 estão rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, rendimentos isentos ou tributados na fonte superiores a R$ 200 mil e posse de bens acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025, além de situações como ganho de capital, atividade rural e operações em bolsa.
Para o contador tributarista e professor André Charone, o principal erro de quem declara pela primeira vez começa antes mesmo do preenchimento.
“O contribuinte iniciante costuma abrir o sistema sem ter organizado a documentação. A declaração não começa no programa da Receita, começa na separação correta dos informes, comprovantes e dados que sustentam cada informação”, afirma.
A primeira etapa é entender se há obrigatoriedade. Nem sempre o fator decisivo é o salário. Venda de bens, investimentos, patrimônio acumulado e rendimentos isentos também podem enquadrar o contribuinte.
Organização dos documento
Informes de rendimentos, dados bancários, comprovantes de despesas médicas e educacionais, documentos de bens e informações de dependentes formam a base da declaração. Sem isso, o risco de inconsistências aumenta.
A escolha entre modelo simplificado e completo também exige atenção. O desconto simplificado segue em 20% dos rendimentos, limitado a R$ 16.754,34. Já o modelo completo permite incluir despesas dedutíveis previstas em lei. A recomendação é preencher com calma e deixar o sistema indicar a opção mais vantajosa.
A declaração pré-preenchida, embora facilite o processo, não deve ser tratada como definitiva. “Ela reduz erros de digitação, mas não substitui a conferência. Se houver informação incorreta ou ausente, a responsabilidade continua sendo do contribuinte”, alerta Charone.
Os erros mais comuns entre iniciantes incluem não verificar a obrigatoriedade, confiar totalmente na pré-preenchida, omitir bens ou contas, incluir dependentes de forma indevida e lançar despesas não dedutíveis. O prazo também é um fator crítico. A entrega fora do período gera multa e pode complicar a situação fiscal logo na primeira declaração.
Para evitar problemas, a orientação é seguir uma sequência simples: verificar se está obrigado, reunir todos os documentos, preencher com base nos comprovantes, revisar os dados e só então enviar.
“O Imposto de Renda não é só sobre pagar imposto. Muitas vezes, é a oportunidade de regularizar a situação e até receber restituição. Mas isso exige organização, atenção e método”, resume o especialista.
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