Educação • 10:08h • 15 de março de 2026
Primeiro Prêmio Jabuti ajudou a consolidar projeto editorial da Editora Unesp
Tradução da “Enciclopédia”, de Diderot e D’Alembert, marcou a atuação da editora e se tornou símbolo de sua proposta intelectual
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Divulgação
Em meio às comemorações dos 50 anos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), celebrados em 2026, a história da Editora Unesp destaca um momento decisivo de sua trajetória: a conquista do primeiro Prêmio Jabuti em 1990. O reconhecimento veio a partir da tradução e publicação da obra “Enciclopédia”, de Denis Diderot e Jean le Rond D’Alembert, considerada um dos marcos intelectuais do Iluminismo.
O projeto editorial foi inspirado na própria origem da obra original. Em 1750, ao ser encarregado de traduzir a Cyclopaedia de Ephraim Chambers, o filósofo Denis Diderot propôs um projeto muito mais ambicioso do que uma simples tradução. A ideia era reunir, em uma única publicação, um panorama amplo dos conhecimentos humanos, envolvendo artes, ciências e humanidades. Dessa proposta nasceu a “Enciclopédia”, obra que se tornaria referência no pensamento moderno ao defender a circulação e universalização do conhecimento.
Mais de dois séculos depois, em 1988, a recém-criada Editora Unesp decidiu traduzir e publicar a obra no Brasil, iniciativa que ajudaria a definir o perfil intelectual da editora. A proposta foi sugerida pelo professor José Castilho Marques Neto, então coordenador da editora, e rapidamente ganhou apoio dentro da universidade.

Até então, apesar da enorme influência do pensamento enciclopedista na formação intelectual contemporânea, a obra nunca havia sido publicada em português no país. A tradução representou, portanto, não apenas um projeto editorial, mas também uma contribuição significativa para a circulação de ideias clássicas no Brasil.
A intenção da equipe era produzir uma edição de alta qualidade gráfica e rigor acadêmico, capaz de dialogar tanto com o meio universitário quanto com o público interessado em cultura e pensamento crítico. A obra recebeu acabamento editorial cuidadoso, com capa em tecido protegida por sobrecapa azul e papel especialmente tratado para facilitar a leitura.
O projeto gráfico ficou a cargo dos designers Isabel Carballo e Edmundo França, responsáveis também pelo tratamento das ilustrações originais da edição de 1751, que foram restauradas e incorporadas à versão brasileira.
Segundo José Castilho Marques Neto, a publicação da “Enciclopédia” representou um verdadeiro manifesto da proposta editorial da universidade. A ideia era construir uma editora capaz de dialogar com a sociedade, ampliando o alcance do conhecimento produzido no ambiente acadêmico.
A iniciativa também se conectava a um momento de transformação vivido pelo país e pelas universidades brasileiras. Com a redemocratização e a reabertura para cooperação científica internacional, instituições de ensino superior passaram a ampliar suas parcerias e projetos de pesquisa. Na Unesp, a gestão do reitor Jorge Nagle defendia uma universidade mais aberta e com participação ativa na produção cultural e científica do país.
Nesse contexto, a publicação da “Enciclopédia” tornou-se um símbolo dessa nova fase institucional. Em 1990, a obra foi indicada ao Prêmio Jabuti, principal premiação do mercado editorial brasileiro, e venceu na categoria de melhor produção editorial de livro de texto, consolidando o reconhecimento da Editora Unesp no cenário editorial nacional.
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