Economia • 20:15h • 13 de julho de 2026
Profissionais de TI viram CNPJ e abertura de empresas de tecnologia cresce mais de 30% em 2026
Mais de 16 mil negócios ligados a programação, dados, web design, suporte e consultoria foram abertos no primeiro trimestre; trabalho para o exterior também avança
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Os profissionais de tecnologia estão abrindo cada vez mais empresas no Brasil. Mais de 16 mil novos CNPJs voltados a serviços de informação e comunicação foram criados entre janeiro e março de 2026, média superior a 5 mil empresas por mês e crescimento de mais de 30% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados fazem parte de levantamento da Contabilizei elaborado a partir de informações públicas da Receita Federal.
O avanço ocorreu durante todo o trimestre, mas acelerou em março. Na comparação com os mesmos meses do ano anterior, janeiro registrou crescimento de 26,5%, fevereiro avançou 22,3% e março apresentou salto de 47% na abertura de empresas ligadas à tecnologia.
Entre as atividades estão programação, desenvolvimento de sistemas, tratamento de dados, web design, suporte e consultoria. Segundo Guilherme Soares, vice-presidente executivo de operação da Contabilizei, os números não indicam necessariamente o surgimento de grandes empresas de tecnologia, mas refletem investimentos no setor e mudanças nas relações de trabalho.
De desenvolvedor a prestador de serviços com CNPJ
A abertura de uma empresa deixou de estar associada apenas à criação de startups entre profissionais de tecnologia. Desenvolvedores, programadores e especialistas passaram a utilizar o CNPJ também para prestar serviços a diferentes empresas e atender projetos sob demanda.
“Para quem atua na área tech, abrir CNPJ deixou de ser um caminho para o empreendedorismo mais conhecido, criar uma startup, e passou a ser uma exigência do mercado para maximizar a renda líquida e crescer financeiramente”, afirma Soares.
O executivo também relaciona o movimento à procura das empresas por profissionais capazes de implementar soluções de inteligência artificial. Em muitos casos, a contratação ocorre para projetos específicos e serviços especializados.
Dados internos da Contabilizei apontam crescimento de quase 70% no número de novos clientes de tecnologia na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. O faturamento consolidado desses profissionais ultrapassou R$ 2 bilhões nos três primeiros meses deste ano.
Tecnologia brasileira também vira serviço de exportação
Outro movimento identificado no levantamento é o crescimento do trabalho remoto para empresas estrangeiras. O número de clientes da Contabilizei que emitiram notas fiscais para o exterior aumentou 32% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado.
Foram mais de 33 mil notas fiscais emitidas para fora do país entre janeiro e março. O faturamento dessas operações superou R$ 735 milhões, mostrando a presença de profissionais brasileiros em projetos pagos em moedas como dólar e euro.
O avanço ajuda a transformar serviços de tecnologia em uma forma de exportação de conhecimento. Sem a necessidade de deslocamento físico, profissionais instalados no Brasil podem atender empresas e clientes de outros países.
Brasil abriu mais de 1,6 milhão de CNPJs em três meses
O crescimento da tecnologia ocorre dentro de um cenário mais amplo de abertura de empresas. Mais de 1,6 milhão de novos CNPJs foram criados no Brasil no primeiro trimestre de 2026, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2025, o equivalente a cerca de 185 mil novas empresas a mais.
Todos os grandes setores registraram crescimento. Serviços e indústria avançaram 14%, enquanto o comércio apresentou alta de 9%. Entre os Microempreendedores Individuais, o aumento foi de 15%, enquanto empresas de outros portes cresceram 7%.
Regionalmente, Mato Grosso liderou o crescimento percentual entre os estados, com alta de 19,3%, seguido por Pará, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Entre as capitais, Manaus ficou na primeira posição, com avanço de 31%, à frente de Campo Grande, Fortaleza, Brasília e Salvador.
Os números mostram que o profissional de tecnologia brasileiro está assumindo também uma nova identidade empresarial. Entre contratos por projeto, demanda por inteligência artificial e serviços prestados ao exterior, milhares deixaram de aparecer apenas como trabalhadores do setor e passaram a integrar também as estatísticas de novos CNPJs do país.
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